A hora do churrasco

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A operação “a carne é fraca” tem inúmeras vertentes e passou a ser o tema dominante no Brasil nestes últimos dias.

O Episódio tem que servir para o País tirar algumas importantes lições, notadamente em tempos de redes sociais.
Em todos setores há bons e maus empresários. Em todos os setores há empresários que por sua força política conseguem linhas de financiamento favorecidas que potencializam seu crescimento no mercado e neste contexto há inúmeros empresários sem o menor escrúpulo na condução de seus negócios.

Isso posto o que fica para todos nós é que o setor público não vem funcionando como deveria. Diariamente somos surpreendidos com denúncias de toda ordem e o que é pior, este mesmo setor público não tem sido capaz de lidar com estas questões.

Há um erro estratégico na condução dos problemas. Não se antecipam. Fiscalizações não são efetuadas em seu tempo. Levam as cosas com a barriga. Operam em ilha, como se cada setor se bastasse em si. Há vazamentos seletivos, há pirotecnia quando agem e não conseguem projetar a dimensão que toma na sociedade a forma com que abordam as irregularidades.

No caso específico da carne o Brasil demorou mais de dez anos para se consolidar como um importante exportador neste exigente mercado. O setor pecuário brasileiro, que faz parte do chamado mundo do agronegócio, investiu pesado para atingir status que lhe coloca como referência mundial.

Não quero tirar a gravidade das denúncias, mas colocar na mesma vala toda a cadeia produtiva do setor, como se todos fossem maus empresários, é no mínimo falta de inteligência.

O estrago foi feito. Imagem se constrói ao longo de anos, mas pode ser destruída em fração de segundos. Os custos implícitos são incomensuráveis, mas o custo explícito atinge a casa dos bilhões de Reais.

O mercado está tenso. As exportações já foram prejudicadas. Importantes redes de supermercados bloquearam compras das marcas envolvidas na operação e o jogo da oferta e procura no setor desequilibrou.

É hora de agir assertivamente. É hora da transparência. É hora de juntar os cacos espelhados e ver se o resultado é assimilado pela opinião pública interna e externa.

É hora de avaliar se um determinado órgão isoladamente pode agir da maneira que agiu, sem discutir estratégias de abordagem.

Além de mudanças necessárias no setor público, o setor privado também preciso tirar suas lições. Não se faz negócios à margem das boas práticas de gestão. Não adianta alardear controle de qualidade, se um elo não funciona, na ponta. Uma corrente é tão forte quanto o elo mais fraco. Diretores e empresários em suas salas refrigeradas por vezes desconhecem o que acontece na ponta do processo.

Precisam ter como norteador de seus negócios o chamado “compliance” (regras de atuação e formas de agir quando detectam desvios e não conformidades no negócio) e ainda criarem comitês inteligentes de gestão de crise. Precisam saber agir de maneira firme quando não-conformidades aparecem. Agindo assim, mitigam o risco. Precisam investir mais em auditorias permanentes e serem seletivos em sua atuação.

Muita coisa foi dita e várias vertentes serão especuladas, incluindo as benecias que parte dos megaempresários do setor receberam, mas o certo mesmo é que nossas Instituições estão cada vez mais precárias e agem como se fossem incapazes de enxergar um palmo na frente de seus olhos.

Neste momento você deve estar se perguntando: afinal porque o título deste artigo “a hora do churrasco”? Além de chamar sua atenção para leitura, ao menos no curto prazo, o preço da carne deve cair, quer pela menor exportação, quer pelo menor consumo das pessoas assustadas com tudo que ouviram.

Eu pessoalmente confio tanto no que foi investido no setor pecuário brasileiro que confesso que irei aproveitar as promoções e fazer um bom churrasco em família. E você, vai fazer também?

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