Banco Central muda postura

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O Banco Central brasileiro, através de seu Comitê Política Monetária – Copom, mudou sua postura na gestão Temer. Além de antecipar a divulgação de sua ata se suas reuniões, também passou a incrementar comentários e análises até então limitadas a sua área de atuação.

O texto da ata divulgado nesta semana deixa claro que não será somente com redução da taxa de juros no Brasil que a economia voltará a crescer. Reforça a necessidade de levar em frente as reformas que equilibrem as contas públicas, também investir em infraestrutura e ainda implementar medidas estruturantes que melhore o ambiente de negócios.
Na prática o Banco Central é o grande guardião da Política Monetária e em particular da política de juros, sendo que os demais membros da equipe econômica, lotados nos Ministérios da Fazenda e do Planejamento são os que devem encaminhar as medidas estruturantes.

Juros menores são estimuladores do consumo, mas chega em um momento em que as famílias estão sem renda e endividadas, portanto, apostar na elevação do consumo é uma possibilidade, mas não irá garantir crescimento elevado e tampouco duradouro.
Mesmo com a indicação do Banco Central de outras medidas estruturantes o que na prática foi feito pelo governo Temer? O principal pilar da nova matriz econômica, em curso, foi a aprovação da Emenda Constitucional que limita os gastos Federais. Isso já está em curso e é o grande vetor do necessário ajuste fiscal.

Mas isso é pouco. Outras reformas importantes estão na pauta e dependerão de negociação com o Congresso, entre elas a da Previdência e a Trabalhista.

Observem que estas reformas complementam as medidas do ajuste fiscal. Limitar os gastos será possível somente em algumas rubricas da execução orçamentária. Os gastos com a Previdência, por exemplo, só crescem e comerão ao longo do tempo praticamente todo o orçamento Federal caso não haja reversão do quadro atual. Algo firme nesta direção deverá ser feito e será uma longa discussão com a sociedade.

No tocante a reforma trabalhista, na verdade uma minirreforma trabalhista, vai no sentido de aliviar os custos de contratação de pessoal e estimular o mercado de trabalho. Também dependerá de negociação com o Congresso.

O governo de Temer também opera em outras frentes, mas ainda timidamente. Ofereceu ao mercado a renegociação de dívidas tributárias, mas esta veio aquém das expectativas. Não se sabe ao certo a dimensão do que isso pode representar para aliviar o caixa das empresas e elevar a arrecadação do governo. Também editou medidas na direção do aumento de consumo ou pagamento de dívidas por parte das famílias com a liberação dos recursos do FGTS das contas inativas.

Seria desejável que nesta fase, mesmo com pouco tempo de governo, que estivéssemos colhendo frutos, principalmente da retomada da confiança dos agentes econômicos, mas como alertaram os membros do Copom do Banco Central é preciso mais do que juros.

Entendo que estamos no caminho certo, mas temo pela velocidade implementada, ou seja, muita gente boa pode não ter fôlego para suportar as adversidades apresentadas.

Observo mais esperança de dias melhores para nossa economia do que efetivamente otimismo.

Como alento fica a confirmação de que a atual equipe econômica sabe o diagnóstico para os problemas da economia brasileira e não tem incorrido em erros básicos cometidos pela equipe econômica do governo anterior.

Saber para onde se quer ir é um primeiro passo, mas esperamos que quem está no comando da economia saiba implementar velocidade para chegarmos à recuperação econômica antes do esperado. O caminho é longo, mas é preciso trilhá-lo sem perda de foco.

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