Cartão de Crédito não pode ser vilão

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Sem dúvida alguma o cartão de crédito facilitou a vida das pessoas. Só o fato de não portar dinheiro vivo já é uma grande vantagem. A segurança, aliada à facilidade, têm garantindo o crescimento no uso desta modalidade de crédito.

Apesar de toda facilidade o cartão de crédito não pode ser o vilão do orçamento doméstico. Isso ocorre quando o consumidor não controla seus gastos.

Vamos aos fatos. A administradora do cartão de crédito estabelece um limite de crédito que normalmente é proporcional a renda das pessoas (levam em conta outras variáveis, como o histórico de bom pagador, o risco de calote, entre outras). Aqui começa o problema.

Imagine uma pessoa que tenha renda mensal de R$ 2.000,00 e o limite fixado seja os mesmos R$ 2.000,00. Isso provocará o que posso denominar de “potencialização do consumo”. Todos nós sabemos que nem todas despesas do mês serão pagas com o cartão de crédito. Mas o consumidor, descontrolado, compra e coloca o valor na fatura do cartão. Um parcelamento aqui, uma compra na farmácia ali, um gasto no restaurante acola, a compra do mês no supermercado, pronto, o limite da fatura quase foi atingido.

Quando chega a fatura e o valor é próximo a renda mensal, fica evidente que o dinheiro será insuficiente. Como encaixar esta fatura e a mensalidade escolar, o aluguel, o financiamento da moto, a conta de energia, de água, telefone, entre outras?

Neste momento o consumidor fará suas escolhas. Não querendo ficar inadimplente com as contas fora do cartão, opta por pagar o valor mínimo da fatura. Neste momento começam os problemas, pois o saldo não pago será financiado automaticamente a juros mensais que podem atingir 14%. Um absurdo. Mesmo com a nova mecânica de parcelamento automático para quem rolar a dívida por mais de 30 dias, os juros ainda serão salgados, girando em torno de 7% ao mês.

Sem mudança de hábito no consumo a mesma mecânica de gastos e acúmulo de parcelas no mês seguinte a fatura vai às alturas e novamente é utilizado o financiamento que a administradora oferece, e a bola de neve está formada.
Como em sã consciência alguém pode pagar de 7% a 14% de juros ao mês se sua renda será reajustada a menos de 5% ao ano? É um tiro no próprio pé.

Então o que fazer? Não tem outro caminho: controlar os gastos no cartão. Mesmo sabedor que o limite é de R$ 2.000,00, em nosso exemplo, estabeleça um limite máximo de gastos no cartão. Para saber este valor, some tudo que não será pago com o cartão. A diferença entre este valor e o limite do cartão, será o valor liberado para gastos no cartão. Para este controle há um aliado que é a tecnologia, ou seja, acompanhar pelos meios eletrônicos o saldo da fatura.

Além do valor mensal da fatura fique de olho na anuidade do cartão e em alguns lançamentos não contratados como seguro protegido. Outra dica importante: tenha somente um cartão, exatamente para evitar que seu poder de compra seja ainda maior.

Como coloquei o cartão de crédito é um aliado do consumidor, seguro, mas como qualquer modalidade de crédito, se não for utilizado de maneira racional, pode ser o grande vilão no controle do orçamento da família.

Fica o alerta para que os pais também eduquem financeiramente seus filhos para que estes possam controlar adequadamente seus gastos e já cresçam com o conceito no uso racional do crédito, incluindo o cartão de crédito.
Não deixe o cartão de crédito ser o vilão de suas contas.

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