Cobertor curto

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Seria “chover no molhado” dizer que a crise econômica tem achatado a renda do trabalhador brasileiro. Isso é fato! Também não é preciso ser nenhum especialista para concluir que o dinheiro está curto e acaba antes do fim do mês. A conclusão óbvia é que o cobertor está curto. Renda de menos, despesas de mais e a conta não fecha.

Se estas questões são óbvias, portanto, o diagnóstico está concluso, a questão que se apresenta é: como equacionar o desequilíbrio financeiro?

Ao longo dos últimos meses as famílias atentas as dificuldades em fechar as contas mensalmente já iniciaram um movimento que podemos denominar de “mudança de hábito”.

Começaram segurando os supérfluos. Depois passaram a comprar marcas de produtos menos conhecidas. Seguraram o lazer. Cortaram TV a cabo. Adiaram viagens. Seguraram a conta do telefone celular. Agora começam a cortar gastos que até então eram considerados essenciais.

Um exemplo desta nova postura é a educação dos filhos. Muitas famílias faziam “tripas coração” para garantir escolas privadas de qualidade, mas agora se renderam a realidade de baixos recursos financeiros e estão migrando seus filhos para as escolas públicas. As estatísticas apontam para crescimento no número de matrículas nestas escolas e queda nas matrículas em escolas particulares.

Observem que estas mudanças, juntamente com o corte nos gastos em planos de saúde, indicam que as famílias, de certa maneira, estão “jogando a toalha”. Fazem um movimento de volta, representando redução do padrão de vida.
Voltando a pergunta: como equacionar o desequilíbrio financeiro? O caminho, infelizmente é esse mesmo: cortar gastos e se possível elevar a renda.

Tão simples assim? Escrevendo ou falando, sim, mas é na prática um processo de revisão em tudo que norteia a rotina da família.

O consumismo em que nos metemos (muitos acreditam no “consumo, logo existo”), a necessidade que muitos têm de ostentar, de mostrar aos outros que possuem poder de compra, levou muitas famílias a necessitar sempre de mais renda, para consumir mais.
Agora é a hora do movimento contrário. E aí reside o grande desafio, afinal quem nunca teve muita coisa não sente falta, mas quem melhorou seu perfil de consumo, não é fácil recuar.

Mas o caminho tem de ser trilhado e é na direção da seletividade nos gastos. Pouco adianta observar a queda na renda e continuar gastando como se nada tivesse ocorrido. O coberto curto exige sacrifícios. Se cobre os pés parte do corpo fica de fora, se cobre a cabeça, os pés ficam de fora. São escolhas que cada um de nós deve fazer. Isso passa inclusive por ficar um tempo sem repor roupas, calçados, racionalizar o uso dos veículos, cancelar o cartão de crédito, vender um bem, segurar alimentação de lazer e ainda considerar, mesmo em mercado adverso, a possibilidade aumentar a renda, mesmo que seja com pequenos serviços.

A má notícia é que ainda teremos um tempo de sacrifícios pela frente e a boa notícia é que fundo poço chegou e, quem reservou forças, irá se levantar.

Infelizmente quem causou o desarrancho na economia, e seus seguidores, não se deram conta da grande interferência, para pior, que fizeram no seio das famílias e se esquivam de assumirem isso em público.
Considerando que o brasileiro, na média, é um batalhador e tem possui muita capacidade de superação, vamos, na garra superar mais esta.

Ali na frente voltaremos a contar com cobertores no tamanho de nossas necessidades!

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