De generalizações e hipocrisia

143

Um dos esportes favoritos da nação tupiniquim que chamamos de Brasil é o escracho. Parece algo inerente à nossa personalidade como povo é o que poderíamos achar em uma análise superficial. Mas não é.

O problema talvez seja exatamente esse: a falta de profundidade no entendimento das coisas que acontecem neste país. Agora mesmo estamos diante de algo sintomático dentro do processo onde deveríamos amadurecer enquanto cidadãos. Com delações de todos os lados, vemos a classe política e a fina flor do empresariado nacional envolvidos em tenebrosas transações que nos condenam ao subdesenvolvimento desde os tempos imemoriais.

E é exatamente nesse momento de catarse que vejo se estabelecendo o nosso erro histórico: a generalização. Ninguém presta. Todo político é bandido. Todo empresário só quer levar vantagem. Trabalhador é vagabundo e só quer carteira assinada pra depois lesar o patrão. Jogamos todo mundo na mesma vala e nos esquecemos que esse argumento vem carregado de um desânimo que nos torna coniventes e patrocinadores desse estado de coisas. Afinal, se todo mundo é bandido, que futuro temos? Precisamos vencer esse estágio de auto indulgência.

Temos que julgar, condenar e punir os bandidos e reconhecer que eles não são todos. Que podemos nos livrar dos nossos hábitos de pequenas corrupções e assumir que a fidelidade e probidade não são determinados pelo tamanho da falcatrua. Alguém já disse que ética é aquilo que você faz à vista de todos e caráter é aquilo que você faz quando ninguém está vendo. Hoje essa é a questão. Não podemos mais viver a hipocrisia das duas caras. Uma em público e outra em privado. Esse é o nosso desafio. Vamos encarar? Oremos.

Imagem ilustrativa./ Foto: Reprodução/ www.wgbseguranca.com.br

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here