É preciso explorar a queda da inflação

É preciso explorar a queda da inflação

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Tenho insistido que um pré-requisito para auxiliar na retomada do crescimento econômico no Brasil seria a queda da inflação. É uma visão de curto prazo, a medida que no longo prazo se fazem necessárias as medidas estruturantes, parte delas em curso, mas pode sim ajudar e muito a injetar ânimo na economia.

No ano passado, ainda sob a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff a inflação brasileira desgarrou: fechou em 10,67%. Em 2016, mês a mês a inflação dos últimos 12 meses ficava próxima aos 10%, fugindo, em muito, do limite máximo da meta que é 6,5% ao ano. Com ações firmes do Banco Central, já na gestão de Michel Temer, somadas a melhoria das questões climáticas (entre outros fatores) trouxeram a inflação para níveis compatíveis com as metas fixadas. A inflação acumulada deste ano, até novembro, está em 5,97%. Se a inflação de dezembro ficar no máximo em 0,5% o acumulado do ano ficará dentro da meta estabelecida.

Mesmo que isso não ocorra é fato que a queda da inflação é uma grande conquista e o governo Federal precisa explorar isso.
A atual política monetária brasileira é austera. Praticamos uma das maiores taxas de juros reais (descontada a inflação) do mundo. Além disso o percentual do depósito compulsório sobre as movimentações financeiras é elevado, retirando recursos de circulação. A carga tributária na formação dos juros finais no mercado é alta e os operadores do mercado praticam um spread (lucro) muito acima da média mundial. O resumo disso tudo é operar a economia com inflação abaixo de 10% ao ano e praticar juros na ponta que variam entre 20% ao ano (para grandes corporações) e 380% ao ano no cheque especial e cartão de crédito.
Não é preciso afrouxar a política monetária de uma só vez é preciso sim ousar mais. Os juros básicos podem cair mais. Com ele haveria uma indução das demais taxas do mercado. Se simultaneamente são implementadas ações para reduzir o custo das operações, os juros para os tomadores finais despencam e abre-se uma porta para economia voltar a respirar.

Ninguém pode ter a ilusão que o consumidor voltará fortemente as compras se os juros caírem, mas não falamos somente da desta variável para movimentar a economia. Falamos de juros para capital de giro das organizações. Quem não fechou suas portas durante este período recessivo luta diariamente para manter um mínimo de estrutura funcionando. As contas fixas vencem e precisam ser honradas. Por sinal, neste particular, há um ciclo vicioso: empresa vende menos, atrasa pagamentos, o risco financeiro aumenta, os juros se elevam, garantias adicionais são solicitadas, até que o crédito não é mais concedido. O sistema avalia quantitativamente e não qualitativamente seus clientes.

Os colegas Economistas que atuam junto ao Banco Central, alguns oriundos de grandes bancos, precisam passar um tempo nas empresas de pequeno e médio portes. Precisam entender que um pequeno alívio no crédito é capaz de garantir sobrevida as empresas.

Observem que, se deixarem que o noticiário político e as dificuldades de negociação do executivo com o legislativo prevalecerem, conquistas como a queda da inflação, não será capitalizadas em sua magnitude.

O Banco Central esta semana sinalizou com ações mais firmes na direção aqui apontada, mas é preciso implementar mais velocidade, principalmente no tocante a queda mais robusta dos juros básicos da economia.

Como tenho insistido, o que está em jogo é a geração de empregos e a redução do grande abismo social que o Brasil embarcou.
É preciso sim aproveitar melhor a queda da inflação, sem aventuras, com ações firmes na direção da retomada do crescimento econômico.

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