Educação Financeira

Muitos de minha geração começaram a trabalhar muito cedo. Eu mesmo tive meu primeiro emprego aos 13 anos. Esta precocidade de entrar no mercado de trabalho trouxe consigo responsabilidade de adulto. Se de um lado nos tirou o “charme” da adolescência, por outro lado, nos fez lidar mais cedo com o dinheiro.

Receber um valor ao final do mês, por menor que fosse, aumentava a responsabilidade em ter que escolher o destino dos recursos. Não raramente a prioridade era a ajuda em casa. Sobrando algum dinheiro, administrávamos entre um pequeno sonho de consumo e o lazer. Quem tinha um pouco mais de rigor com o dinheiro, abria a caderneta de poupança (que na época era caderneta mesmo).

Observem que muito cedo muitos adolescentes aprendiam, nem que fosse na marra, como administrar o dinheiro. Certamente davam muito valor a cada centavo conquistado à medida que conseguiam avaliar o quanto era suado e duro exercer sua função no mercado de trabalho.

Nossa geração cresceu e hoje lidamos de maneira diferente com nossos filhos. Muitas famílias precisam que os adolescentes trabalhem, por exemplo, como jovens aprendizes, mas há famílias que fazem “tripa coração” para que o ingresso no mercado de trabalho seja mais tarde, priorizando os estudos. A crise tem diminuído este número de famílias, mas para muitas delas esta é a realidade.

Neste contexto se considerarmos a gestão do dinheiro, o que está faltando? Educação financeira! Poucos pais dedicam seu tempo para ensinar os filhos a lidar com o dinheiro. Alguns, inclusive, são “frouxos” e acabam indiretamente estimulando o consumo exagerado.

O meio social também é um dos grandes limitadores da organização financeira. A inveja, o status, enfim, o supérfluo, acabam sendo priorizados e o descuido com o dinheiro passa prevalecer.

É preciso ensinar e responsabilizar os filhos. A “semanada” é um bom caminho. Estabelecer um limite de recursos semanal e pedir prestação de contas, ajuda a educar financeiramente. Também é preciso deixar claro os limites financeiros da família. Democratizar a real situação financeira traz consigo cumplicidade e mais facilidade em controlar os gastos.

Cartão de crédito pode ser um bom aliado, pois é seguro e evita circular com dinheiro, mas também ter que ser estabelecido limite. Deixar o jovem à vontade, permitindo que gaste sem controle, gera uma sensação de “poder” que vai no sentido contrário da educação financeira, e ainda cria um cidadão “esbanjador”.

Na prática é preciso, no diálogo, falar de dinheiro. Quanto mais cedo isso ocorrer, mais frutos serão colhidos. Precisamos criar uma geração mais responsável com os escassos recursos da família.

Hoje, mais do que nunca, a educação completa passa também por ensinar a lidar com o dinheiro. Mesmo que ainda não tenho feito isso, vale a pena começar. Vale a dica.

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