Famílias: mudanças estruturais

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A crise que assolou e ainda deixa reflexos no Brasil levou as famílias brasileiras a implementarem mudanças estruturais. Os Pais e responsáveis que possuem filhos até 30 anos de idade, da dita classe média brasileira, optaram, em sua maioria, por adiar o ingresso destes filhos no mercado de trabalho. A fase anterior à crise econômica permitiu isso.

Priorizaram os estudos destes jovens e normalmente o casal atuava ao mesmo tempo no mercado de trabalho. Com renda de duas pessoas, passaram a estabelecer um padrão de vida familiar alicerçado neste patamar de dinheiro.
A recessão dos últimos dois anos forçou mudanças neste modelo. O ciclo foi mais ou menos assim: um membro do casal perdeu o emprego e o outro teve que segurar a peteca sozinho. Aquele que manteve seu emprego também se sentiu ameaçado e a decisão inevitável foi: é preciso de reduzir os gastos.

Os filhos que estudavam em escolas particulares migraram para escolas públicas e muitos deles se lançaram no mercado de trabalho. Outros “confortos” da vida moderna também foram revistos e as famílias tiveram que mudar hábitos e comportamentos.

É certo que muitas famílias, mesmo afetadas, demoraram a realizar mudanças em seus gastos e acabaram vendendo patrimônio e até mesmo se endividaram.

Isso não aconteceu somente com os trabalhadores. Empreendedores de pequenos e médios negócios também foram afetados, afinal, as vendas despencaram e suas empresas já não lhe ofereciam o retorno esperado.

Boa parte destas pessoas não entendeu o que levou a esta necessária mudança de comportamento. Na prática muitos acreditaram que os governantes, notadamente as equipes econômicas do governo do PT, seriam capazes de manter a economia estável, com crescimento econômico. O estelionato eleitoral escancarou a fragilidade do modelo econômico até então adotado.

O que estas famílias esperam a partir de agora? Estamos nos aproximando novamente do fim do ano. Sempre há movimento de consumo acima da média praticada no ano. A inflação baixa veio para ficar, o que reduz a perda da renda familiar, ou seja, o poder aquisitivo da moeda é mantido. A ameaça do desemprego não é tão forte como foi no passado, inclusive, se observa em alguns setores saldo positivo na geração de emprego. De um lado há cautela, mas de outro começa a voltar a confiança na economia.

Em algum momento há um certo desânimo, afinal, as denúncias de corrupção atingindo membros do governo Temer e ele em particular, geram insegurança no tocante ao que pode ocorrer com o Brasil se novamente tivermos a cassação de um Presidente da República, mas este desânimo e a insegurança não podem afetar nossa disposição em avançar.
Há muito a fazer, e entendo que as mudanças estruturais promovidas pelas famílias neste período deverão ser mantidas por um bom tempo ainda, mas uma coisa é certa: estão saindo mais fortalecidos e ao mesmo tempo é possível apostar em dias melhores.

Os ciclos econômicos são assim mesmo, e os sábios sabem se adaptar e, mais que isso, se preparar para conviver da melhor maneira possível com os altos e baixos da economia.

É fundamental que estejamos atentos aos indicadores da economia, que compreendamos que a retomada do crescimento não será uniforme, que teremos ainda que conviver com o imbróglio político e enfrentaremos em 2018 uma eleição ruidosa e tensa.

A você que foi obrigado a cortar a própria carne para sobreviver neste período mais agudo da economia brasileira, o alento é que em breve poderemos dizer com mais certeza: o pior ficou para trás. É preciso paciência um pouco mais de paciência.

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