FGTS: dinheiro chega em boa hora

Como muitos dizem: “dinheiro nunca é demais”, mas neste caso particular o dinheiro dos saldos das contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviços (FGTS) chega em boa hora.

São vários os efeitos que a crise econômica que emperra o Brasil provocou nestes últimos anos, sendo que os mais significativos são perda de emprego e, naturalmente a queda da renda das famílias e com ela a elevação do endividamento destas famílias.

Os recursos que serão liberados a partir de março deste ano estão represados em contas que, por força da legislação vigente, não poderiam ser livremente movimentadas pelos titulares destas contas (exceto para fins de financiamento imobiliário). São trabalhadores que, ou pediram demissão, ou foram demitidos por justa causa e somente poderiam utilizar estes recursos em sua aposentadoria, ou para pagamento da prestação de financiamento da casa própria ou em caso de doenças graves.
A mudança na legislação contempla as contas inativas com saldo até 31 de dezembro de 2015. A estimativa do governo é que seja injetado na economia algo entre R$ 30 e R$ 35 bilhões, atingindo algo próximo a 0,8% do Produto Interno Bruto brasileiro.
Foi uma decisão inteligente à medida que os efeitos para economia serão muito mais benéficos do que deixar os recursos nestas contas.

Até mesmo para quem não precisa destes recursos, são poucos é verdade, é vantajoso o saque, afinal o rendimento do FGTS é de 3% ao ano acrescido da TR. A simples canalização para a mais conservadora das aplicações, que é a caderneta de poupança, renderá o dobro.

Mas o destino pode ser mais nobre e efeitos mais substanciais ao trabalhador, como são os casos de dívidas que são corrigidas com juros elevados. Por exemplo, quem usa constantemente o limite do cheque especial. Este dinheiro poderá eliminar juros na casa dos 10% ao mês. Outro exemplo são dívidas com cartão de crédito. Quem não paga a fatura integral rola a dívida com juros que podem atingir 14% ao mês. Neste particular também entrará em vigor o parcelamento automático para quem rolar a dívida por mais de 30 dias, de qualquer maneira, os juros projetados para este parcelamento também são salgados, portanto, seria uma boa decisão cobrir o rombo do cartão.

Têm aqueles que tomaram recursos emprestados em financeiras. Juros acima de 8% ao mês. Ao optar por quitar esta dívida antecipadamente o devedor tem direito a um desconto proporcional aos juros contratados. Também é possível canalizar dinheiro para pagar dívidas no comércio. Aqui dois bons reflexos: o lojista aumenta seu capital de giro, e ao mesmo tempo recoloca no mercado consumidor àqueles que estavam eventualmente com seus nomes negativados nos serviços de proteção ao crédito.
Dependendo do valor envolvido alguns poderão aplicar os recursos e conseguirem rendimentos superiores a caderneta de poupança ou ainda poderão até mesmo realizar um sonho de consumo.

Por sinal, a expectativa do comércio (e do próprio governo Federal) é que parte deste dinheiro que será injetado na economia seja canalizado para o consumo, auxiliando na recuperação da economia.
A combinação de ações macroeconômicas, como o controle da inflação, redução dos juros, ajuste fiscal, entre outras, com a ações microeconômicas, como esta possibilidade de saque de valores parados no FGTS somada a revisão do cadastro positivo, eliminação da burocracia na retomada de bens dados em garantia de dívidas, entre outras, poderão auxiliar na velocidade da recuperação econômica.

Todos somos sabedores dos efeitos da crise, mas ao menos eliminamos a inércia e poderemos apostar em dias melhores.

1 comentário

  1. Cafeo:
    Boa Tarde!
    Qual a real lógica aumento de juros , queda da inflação?
    Porque emitir moeda gera inflação?
    Derramar R$ 30 bi de FGTS não tem o mesmo impacto que emitir moeda?
    O povo é enganado por teorias econômicas neoliberais e ninguém fala nada.
    abraço
    Celso Marques

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