Juros precisam cair para o tomador final de recursos

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Um provérbio Português diz: “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. Isso se aplica a taxa de juros no Brasil. Vamos esclarecer melhor.

A taxa básica de juros no Brasil se aproxima de seu menor patamar histórico. A ata do Comitê de Política Monetária, divulgada nesta semana, indica que sua queda daqui para frente será menor do que as praticadas até então, mesmo assim é possível apostarmos que a taxa cairá dos atuais 8,25% ao ano, para algo em torno de 7,0% a 7,5% na virada do ano.

Esta taxa é o patamar de remuneração que o governo oferecerá daqui para frente para quem compras seus títulos, financiando o déficit nas contas públicas. Aqui podemos dizer que refere-se a “uma coisa”.

A “outra coisa” é esta queda na taxa chegar ao tomador final de recursos. Os juros no Brasil não são tabelados, portanto a taxa básica somente induz a formação das taxas no mercado. Ela é a referência para taxar as aplicações financeiras e definir a taxa para empréstimos. Para formar a taxa de juros para os tomadores de recursos no mercado são considerados, além do custo de oportunidade (neste caso a Selic), os impostos, as despesas, o depósito compulsório, a inadimplência (entre outros), e ainda seu spread (diferença entre a taxa de captação e a taxa de empréstimo).

O que temos na prática? Inflação de primeiro mundo com juros de terceiro mundo. Se uma empresa, por exemplo, precisa de capital de giro, dependendo de sua saúde financeira e garantias oferecidas é possível encontrar taxa na ordem de 19% ao ano, podendo chegar de 35% a 40% ao ano. Para pessoas físicas a coisa é mais grave. Mesmo os empréstimos considerados “mais baratos”, como o consignado, podem atingir 40% a 45% ao ano.
Quando a análise chega aos empréstimos pessoais chegaremos de 70% a 80% ao ano. Agora se o comparativo for para o cheque especial ou cartão de crédito, aí a distância entre a taxa básica de juros e as taxas praticadas nestas modalidades saltam para 213% a 380% ao ano.

As Instituições Financeiras alegam elevada inadimplência e quem precisam de novos marcos regulatórios para uma segurança jurídica mais robusta, contudo, operam em outros Países com juros mais racionais, alinhados com a realidade econômica de cada lugar.

A impressão que temos que é que o “paciente” chamado Brasil precisa de uma dose de remédio (neste caso, juros) “cavalar” para se manter em pé. Enquanto a prática é esta, as empresas agonizam, pois, os juros comem boa parte de seu resultado operacional. Elas também adiam novos investimentos. As pessoas físicas que poderiam ampliar o apetite para o consumo, não querem assumir compromissos com juros exorbitantes.

Se os juros caírem como as Instituições Financeiras ganharão dinheiro? Como fazem no resto do mundo: ampliando o volume de empréstimos.
Em determinado momento será preciso romper com o modelo vigente. O controle inflacionário é um grande trunfo, queda nos juros básicos é um caminho, contudo, enquanto isso não atingir, a ponta, o tomador final, faremos de conta que o Brasil tem indicadores que podem ser comparados aos demais Países do mundo.

Por isso reafirmo: “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”, infelizmente neste caso.

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