A Lava Jato e o bobo da corte

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Se não fosse de uma desfaçatez à toda prova poderíamos avaliar como piada do repertório do palhaço Tiririca a afirmação de Marcelo Odebrecht de que ele seria o “bobo da corte” no reino da propina onde junto de outros deitou e rolou em dinheiro público nos últimos anos.

A assertiva do empresário preso no âmbito da Lava Jato talvez seja referência ao fato de os políticos com os quais se refestelou por muito tempo, rirem de orelha a orelha toda vez que se reuniam para os rega bofes nos palácios de Brasília, ao dividir o que cabia a cada uma deles na sangria à bolsa da viúva. Não, senhor Marcelo.

O senhor não era o bobo da corte. Na verdade somos hoje mais de 200 milhões de bobos da corte neste país mas o senhor não é um de nós. Nem o senhor e nem aqueles que agora são delatados com desenvoltura como se não tivessem compartilhado as mesmas idéias e os mesmos ideais ao se juntarem para levar vantagem em seus negócios. Ainda não é possível determinar qual a sua posição neste reino. Mas bobo da corte não.

E a julgar pelos seus últimos depoimentos, o enredo ao qual suas histórias foram incorporadas está perto do fim, com o prêmio ao qual o senhor fez jus por sua atuação. Não será um Oscar, talvez um Framboesa. Mas o importante é que sua liberdade pós-delação está próxima. Quanto a nós, verdadeiros bobos dessa corte, continuamos a comprar enredos de novela como se fossem processos criminais e investigações policiais. Pobre país onde se é obrigado a escolher entre Bandido e Delator. Como se um não fosse outro e outro  não fosse um. Oremos.

Imagem ilustrativa./ Foto: Reprodução/ Internet

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