Legislativo e Executivo: Pinóquio e o Grilo Falante.

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Muito já se falou à respeito da difícil relação entre os poderes executivo e legislativo. Há teses e mais teses sobre como deve ser esse convívio que teria por finalidade precípua funcionar de maneira equilibrada, de sorte que um não se sobrepusesse ao outro. Mas como todos sabemos, entre o ideal da democracia e os balcões do dia a dia, existe uma distância abissal.

Exemplo prático dessa dificuldade de mensurar o que seria ideal na aproximação entre os poderes é o que ocorre quando temos bancadas de apoio ao executivo que ao representar uma grande maioria acabam por serem nomeadas trem-bala. Bauru já viveu isso. O contrário também é verdade. Quando se tem uma base frágil e uma oposição numerosa e barulhenta. Também já tivemos essa experiência.

Se no primeiro caso o executivo passa o trator, na segunda hipótese ele acaba se tornando refém de uma paralisia que na maioria das vezes inviabiliza o governo. Como deve ser então essa convivência? Creio que a resposta está exatamente no equilíbrio. A Câmara e os vereadores precisam ter a dimensão exata do seu papel. Muita vezes remar contra a corrente e se dar o direito de discutir com profundidade as demandas que chegam do executivo.

Manter uma distância saudável que lhe permita conhecer as necessidades da administração mas não se sentir tão responsável pela sua solução a ponto de fechar os olhos para os erros que muitas vezes poderiam ser evitados. Vereador não é e não pode ser fiador de cumprimento de promessa de prefeito. Quando isso acontece alguma sempre acaba dando errado.

Se pudéssemos fazer uma alusão às fabulas mais famosas para explicar essa relação, poderíamos usar a história de um boneco de pau e sua consciência Pinóquio e seu Grilo Falante. E certamente Legislativo e Executivo podem se revezar nos papéis. Oremos.

Imagem ilustrativa./ Foto: Reprodução/ Internet

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