As lições da recessão

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O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) divulgou os números oficiais do desempenho da economia brasileira no ano passado e confirmou o que já era esperado: segundo ano de forte recessão, com queda de 3,6% no Produto Interno Bruto se comparado ao ano anterior.

Como a economia deve ser vista como um filme e não um retrato, esse ciclo recessivo tem de oferecer algumas lições àqueles que comandam o País.

A primeira lição vem da essência da economia: é preciso fazer escolhas dada a escassez de recursos. As escolhas devem ser adequadas para que os resultados sejam alcançados.

Dilma Rousseff comandou o País de 2011 a 2016 (até maio) e a economia veio em queda livre. Iniciou seu governo com PIB crescendo 3% ao ano, fechou em 2014 com queda de 0,4%, observando queda de 3,8% em 2015 e deixou o comando do País sem nenhuma estratégia contundente para sair deste marasmo, fazendo com que o Brasil tivesse nova queda no PIB, agora de 3,6% como mencionado acima.

Observem que a economia passou a deteriorar a partir de 2011. O artificialismo econômico adotado por Lula notadamente em seu segundo mandato, jogou para frente problemas estruturais sérios.

A combinação de renúncia fiscal (redução de tributos para artificialmente elevar o consumo) com aumentos expressivos dos gastos públicos gerou desequilíbrio na economia brasileira. Ao afrouxar simultaneamente a política monetária (principalmente a redução da taxa de juros), novamente estimulando o consumo, fez com os números de desempenho da economia ficassem mascarados. O crescimento veio, mas sem sustentação.

Gastos em crescimento e arrecadação em queda, gerou déficit fiscal sem precedentes, gerando o que podemos denominar de “bagunça” na economia. A condução da política econômica não permite operar em desequilíbrio. Isso pode ser facilmente comprovado com a volta da inflação naquele período. O País operou muito distante do limite máximo da meta fixada pelo próprio governo.

Esse artificialismo tem prazo de validade. E teve. No acumulado a recessão destes anos comeu nada mais nada menos do que 9,1% da renda das pessoas. O desemprego atingiu mais de 13 milhões de pessoas. Recuperação judicial e falências de empresas têm sido a tônica do meio empresarial. Estados e municípios não conseguem honrar seus compromissos.
Insisto: não há economia que se sustente com gastos acima da capacidade de arrecadar. O endividamento público se potencializa a desconfiança dos agentes econômicos passa a imperar.

Esse modelo gastador não pode ser reproduzido. A equipe do Ministro da Fazenda Henrique Meirelles, mesmo com morosidade, tem tentado atacar a causa do problema. O limitador de gastos da União, já em curso, representa mudança importante. Também o Banco Central ter trazido a inflação para o centro da meta, é uma conquista e tanto. Mas ainda não são suficientes para sustentar o crescimento da economia.

É preciso avançar nas reformas estruturais para que paremos de dizer que a economia brasileira é semelhante ao voo da galinha. Esta história de eventualmente crescer, para depois despencar, não tem mais espaço, na verdade a economia brasileira não tem mais “energia reservada” para tantos altos e baixos.

Devemos ficar atentos as soluções diríamos “fáceis” e “populistas”. Bem-estar social à custa de um Estado gastador já foi comprovadamente refutado em outros Países e sua prática aqui no Brasil nos trouxe para este momento de penúria.
Se não formos capazes de amadurecer na dor, nunca viraremos a página neste País.

O clamor de todos é: Brasil volte a crescer. Cresça de maneira sustentada e duradoura! Os empresários, até mesmos os governantes e principalmente os mais pobres agradecem! Outro clamor: todos nós devemos tirar importantes lições da recessão e ficarmos atentos a eventuais “salvadores da pátria”.

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