A morte silenciosa da Lava Jato

A morte silenciosa da Lava Jato

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Enquanto os holofotes da grande mídia apontam para as movimentações políticas  que tem como alvo a  Lava Jato à partir de Brasília, a operação pode estar sendo ferida de morte em seu próprio berço: Curitiba.

Sem que o público tenha conhecimento, quase dois anos após uma denúncia de grampo ilegal instalado na sela do doleiro Alberto Youssef, o processo dentro da Polícia Federal estaria sendo finalizado e embora não aponte para uma contaminação total das investigações, estaria provocando um verdadeiro desmonte no grupo que vinha trabalhando nas investigações desde seu início. E como se daria esse desmonte?

Ao que tudo indica, a culpa pela instalação do grampo ilegal que teria gerado mais de 250 horas de gravação ficaria na conta do agente da polícia federal que confessou ter montado o equipamento. Embora o mesmo tenha apontado todos os mandantes e dado detalhes em seus depoimentos, os responsáveis pela investigação interna afirmam que não há como provar que as ordens foram dadas.

Como nos clássicos enredos de folhetins de suspense, o culpado seria o mordomo. Dessa forma, a operação Lava Jato fica preservada até aqui, mas é ferida de morte naquilo que ainda poderia revelar. Delegados que poderiam ser acusados de crimes responderiam por infrações administrativas e seriam transferidos para outros estados.

Se um complô entre políticos para acabar com a mais famosa das investigações sobre corrupção no Brasil é apenas teoria da conspiração, as ações que vem ocorrendo longe do conhecimento do público mostram exatamente o contrário. E o que elas deixam claro é que ninguém vai atirar em juiz ou promotor em praça pública. O que for feito o será dentro do mais absoluto silêncio. Oremos.

Em julho de 2015, o doleiro Alberto Yousef exibe o que seria um grampo em sua cela de carceragem da PF em Curitiba./ Foto: Reprodução/ Internet
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Jornalista, formado pela Unesp Bauru e Pós-Graduado em Educomunicação pela USC. Comentarista do Programa Informasom e Apresentador do 94 Notícias. Responsável pelo Projeto Ecomigo de Educação Ambiental e Exposições Itinerantes Memórias do Tietê em parceria com a 94 FM e a ONG Mãe Natureza.

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