Não é hora de comemorar medidas de Trump

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O Presidente norte-americano Donald Trump começa a cumprir o que prometeu e assinou a saída dos Estados Unidos do bloco econômico denominado de Parceria Transpacífico (TPP).

Este acordo, que seria concretizado este ano, previa a criação de um grande bloco de países ligados pelo oceano pacífico, com clara intenção de combater o crescimento da economia chinesa no mundo.

O Brasil, por questões geográficas, naturalmente ficou fora do acordo e a leitura preliminar que o País teria perdas consideráveis no comércio exterior, sendo obrigado a buscar outros parceiros no resto do mundo para continuar crescendo em suas exportações.

Com a posição assumida por Trump empresários brasileiros ligados ao agronegócio e ao setor industrial comemoraram a decisão a medida que cerca de 25% do comércio internacional do Brasil é feito com os países que assinaram o acordo de cooperação. Sem os Estados Unidos o bloco fica enfraquecido e abrem portas para o Brasil abocanhar parte do comércio que seria exercido pelos Estados Unidos.

Mesmo com esta constatação fica o alerta: não é hora de comemorar medidas de Trump. Isso se justifica não pelo fato de sua saída do bloco, mas pelo fato de Trump caminhar no sentido de implementar uma nova matriz econômica nos Estados Unidos.

Protecionismo, nacionalismo, revisão de acordos comerciais com outros países, valorização do mercado interno, entre outras questões abordadas por Trump, poderão gerar desequilíbrios futuros na principal economia mundial.

Tudo indica que, se realmente esta matriz econômica for alterada, os americanos poderão observar crescimento econômico mais acentuado, mas pagarão um preço alto pelo fechamento de suas fronteiras com o resto do mundo. Isso é indicativo de desequilíbrios internos, com geração de inflação e uso mais forte da política monetária, principalmente no tocante a taxa de juros, o que poderá gerar uma crise na principal economia mundial.
E se isso ocorrer, Países com as fragilidades em sua economia como as observadas no Brasil pagarão um preço elevado. Vale lembrar que as crises recentes de 2008 e 2009 ainda deixam sequelas importantes na economia brasileira.

Na prática o mundo conviverá com um político que não goza de credibilidade e sua imprevisibilidade e temperamento, geram incertezas de toda ordem.
Não há muito o que fazer, mas em vez de comemorar “restos” de um acordo cancelado, seria necessário o Brasil estabelecer uma política de comércio exterior, com revisão de pauta de exportação, com uma política clara de substituição de importação, investindo em ciência e tecnologia, o que nos permitiriam ser competitivos no contexto internacional.

Fica o alerta: devemos caminhar com nossas próprias pernas e não operar no vácuo de quem desdenha acordos internacionais. A economia brasileira tem que ser muito maior do que isso.

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