O exemplo de Tite

O exemplo de Tite

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A seleção brasileira de futebol já está classificada para o campeonato mundial que ocorrerá o ano que vem na Rússia. Tirando o País sede, que está automaticamente classificado, o Brasil é o primeiro País a conquistar a vaga.

O desempenho da seleção nas mãos do Tite é elogiável: nove vitórias consecutivas, média três gols por partida, nove pontos à frente da segunda colocada, a Colômbia, nas eliminatórias sul americanas e acima de tudo praticando futebol de dar orgulho.

Esta altura você deve estar se perguntando: por que um Economista, que deveria escrever sobre economia, finanças e temas afins, resolveu escrever sobre futebol e especificamente da seleção brasileira? A resposta é: o tema não é futebol, mas sim o exemplo daquele que comanda a seleção brasileira.

Como todo líder (não chefe) Tite recebeu jogadores (e não um time) desmotivados, individualistas, e para alguns, até mercenários. Sem a devida motivação, os resultados eram pífios. Atuavam para cumprir tabela e, mesmo que alguns poucos se esforçassem para trazer algo mais, isso não era suficiente para atingir os objetivos propostos.
Tite pensou bem antes de aceitar o cargo de treinador. Ficou muito preocupado com a questão ética, afinal os comandantes da CBF não são nada santos. Impôs suas condições e conseguiu carta branca para exercer seu cargo.
Não conheço Tite pessoalmente, mas as colocações de seus comandados nos oferecem o suficiente para podermos e estabelecermos um juízo de valor.

Ele possui atributos desejáveis tanto aos que atuam o setor público, como aqueles que atuam no setor privado. Ética, transparência, liderança, metas, determinação, entrega, capacidade de enfrentar adversidades e humildade (entre outras).

Nossa Economia não vai bem, mesmo com bons sinais de recuperação, mas a energia gasta pelos políticos em se justificar perante a opinião púbica de seus erros no exercício de suas funções sem dúvida é grande entreve para recuperação mais rápida dos indicadores econômicos. Imagine se o perfil de Tite fosse o perfil destes governantes: nossa energia seria canalizada na solução dos graves problemas do País.

A questão ética então nem se fala. Os interesses pessoais falam mais alto e em vez de olharmos para nossos governantes e enxergarmos neles um exemplo a ser seguido, nos sentidos enjoados. Olhar para o Tite é ver o respaldo e respeito. A entrega de todos é maior.

Nas empresas também há carência de líderes. Poucos praticam a verdadeira liderança, e possuem dificuldades em ter seu time de colaboradores ao seu lado. Isso ocorre em praticamente todos os níveis de liderança (no caso, chefia). Tite, neste particular, nos ensina que é preciso trabalhar em equipe, entender as limitações e necessidades daqueles que oferecem sua força de trabalho, e acima de tudo colocar em prática estratégias que sejam capazes de criar valor para as organizações.

Considerando a crise institucional que o Brasil vive, Tite representa um alento, demonstrando que nem tudo está perdido, que há pessoas que podem fazer a diferença e que é possível plantar e cultivar coisas boas.
Certamente um dia Tite não será mais treinador e até mesmo não conquistar o campeonato mundial de futebol o ano que vem, afinal as competições são assim, nem sempre se ganha, mas o legado dele até este momento é sem dúvida alguma é motivo de reflexão.

Governantes, empresários, estudantes, trabalhadores, donas de casa, enfim, todos nós: devemos sempre nos espelhar nos bem-sucedidos e trabalharmos para que seus exemplos sejam praticados em nosso meio.
Há muito a fazer, há muito a mudar, mas também é preciso de pessoas certas nos cargos certos e que estas sejam competentes o suficiente para oferecer, cada qual em seu setor, o que de melhor possuem para transformar nosso meio.

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Economista. Especializado em Engenharia Econômica. Mestrado em Comunicação com dissertação em jornalismo econômico. Doutorado em economia. Executivo da NUTRISAUDE. Vice-presidente da Associação Comercial. Delegado do Conselho de Economia. Professor universitário graduação e Pós graduação.

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