O País do Ministério de Notáveis.

A aula de fisiologismo que o ministro Eliseu Padilha deu a funcionários da Caixa Econômica Federal na semana passada deveria ser inscrita em mármore e colocada no hall de entrada de todas as casas legislativas do país.

Em sua didática fala sobre  os ministérios, que segundo promessa do atual presidente, seriam compostos por notáveis cidadão e profissionais em suas áreas, o representante do governo federal deixou claro que o conto da carochinha não resistiu à primeira negociação no balcão de troca por votos.

A quase sem cerimônia com que Padilha relata as tratativas que levaram à escolha do ministro da saúde, Ricardo Barros, indicado pelo Partido Progressista, enterra qualquer esperança de que o nosso presidencialismo de coalizão possa ser salvo. Nesse jogo de garantia de votos para aprovar a pauta do executivo, os partidos representados na base aliada tem seus próprios notáveis.

E o que mais tem chamado atenção nos últimos tempos é que o notável Padilha sabe que sua fala não vai causar nenhuma indignação. Assim como a nomeação de Moreira Franco para o ministério do Foro Privilegiado. Em nome da recuperação econômica, da conquista da confiança externa e outras máximas, estamos relativizando conceitos que nos levaram ao intransigente combate à corrupção e o pior, estamos sendo convencidos de que vale a pena abrir mão de direitos e garantias individuais perante o estado e seu aparato.

Já vimos essa novela e o final não é feliz. As cenas dos próximos capítulos já estão gravadas e nelas você paga a conta ou o pato, como queira e  os notáveis corruptos continuam lá. A diferença é que agora, para uma parte da sociedade, esses honoráveis senhores estão fazendo a coisa certa. O rouba mas faz dos tempos de Paulo Maluf talvez fosse mais sutil. Oremos.

Foto: Reprodução/ Internet
Foto: Reprodução/ Internet

Sem comentários

Deixar uma resposta