Passe idoso. Gratuidade sem meias verdades.

Passe idoso. Gratuidade sem meias verdades.

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A promessa de campanha de estender a gratuidade no passe idoso para à partir de 60 anos feita pelo prefeito Clodoaldo Gazzetta é o item que tem registrado maior cobrança e pressão à administração municipal.

Cobrança por parte da população, que viu na promessa um motivo para decidir seu voto no período eleitoral e pressão da classe política, sobretudo na Câmara Municipal que vinha enxergando na demora e na falta de informações fundamentais sobre o projeto da gratuidade, uma tentativa do Palácio das Cerejeiras de dividir com os vereadores o peso dessa cobrança.

Ao assumir que a conta da gratuidade será bancada pelos cofres da prefeitura e não por uma aumento de tarifas para os demais usuários do transporte coletivo, Gazzetta aponta que entendeu a limitação da lei em relação aos subsídios cruzados.

O que se espera é que os cálculos que apontam um custo de 800 a 1 milhão e duzentos mil reais por mês não sejam apenas um chute. Nos bastidores os valores apontados são muito maiores. A história das relações do poder público municipal com o transporte coletivo já registrou momentos de extremo populismo que acabou deixando um rombo enorme.

Uma tal Câmara de Compensação Tarifária  inventada certa vez pela administração municipal deixou um buraco de mais de 9,5 milhões de reais em 2004 – 3.9 milhões pagos em dinheiro às empresas  e 5 milhões que foi compensado depois com a prorrogação de contrato. Que fique claro que a gratuidade para os idosos com mais de 60 anos deve ser encarada como um direito, que muitos municípios pelo Brasil afora já colocaram em prática ainda nos anos 90 do século passado.

É preciso,no entanto, que se tenha clareza nos apontamentos e no formato da gratuidade que se quer implantar. Desvestir um santo, para vestir outro pode não ser a melhor saída. Deixar passivos para o futuro também não. Cumprir promessas exige firmeza e reafirmação de princípios. É o que veremos.

Imagem ilustrativa./ Foto: Reprodução/ Internet

2 comentários

  1. Parabéns pela matéria. Exatamente isso, “Direitos” que são acompanhados de “Deveres”. Dar o referido direito deve ser apontado quem vai cumprir o dever. Todo cuidado com recursos e custos é salutar ao município que, como o resto do país, passa por problemas imensos.

  2. Só nos resta saber, com quais dados e como foram colhidos dados para estimar o valor que seria gasto com os idosos. Pois quem já utilizou o transporte público sabe muito bem que não há nenhum controle de entrada de idosos nos ônibus. Gostaria de saber como foram ou serão coletados os dados para estaticamente nos informar qual o valor real será subsidiado.
    Deixo também a reclamação dos valores cobrados pelo transporte R$ 3,75 para “não andar nada”, comparação com São Paulo, você paga, que seja R$ 4,00, porém atravessa a cidade, com uma passagem você pega trem, metro, ônibus e realmente compensa o valor pago.
    Obrigado.

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