Que venha 2017: otimismo realista!

Há consenso que este ano não foi nada fácil. As instabilidades econômicas e políticas retiraram energia de todos nós e não sobrou muita coisa para comemorar.

É evidente que a simples virada de calendário não irá equacionar todos os graves problemas que o País enfrenta, mas sempre é uma forma de buscar novo ânimo para encarar os desafios que virão.

Vou retomar a frase que tenho colocado há tempo: otimismo realista. Muitas variáveis poderão interferir na recuperação econômica e parte delas indica otimismo e outra parte realismo.

O realismo vem do ambiente externo. Teremos a posse como presidente dos Estados Unidos do temido Donald Trump. Uma grande incógnita. Se praticar o discurso de sua campanha, poderemos esperar fortes emoções e, o que é pior, com abalos em economias fragilizadas como a nossa. Eventual aumento de juros e revisão de parcerias comerciais, sem falar das questões políticas internacionais, são as variáveis mais preocupantes, capazes de dificultar as coisas internamente. Há também a questão da saída do Reino Unido da zona do euro, os abalos econômicos de nossos Países vizinhos, enfim, ingredientes mais que suficientes para interferir em nosso destino.

O realismo vem ainda do ambiente interno. A questão política é incontrolável. Não sabemos ao certo se a lava jato atingirá membros do atual governo, incluindo o próprio presidente Temer. Imaginem uma economia operando com nova cassação e eleições indiretas. O realismo aqui poderia até virar pessimismo, mas a confiança nas instituições, apesar de todo abalo atual, ainda deve prevalecer. A prática democrática é capaz de ajudar na superação das eventuais adversidades.

Por seu lado o otimismo vem de ações firmes na área econômica. A inflação finalmente está contida. Isso abre espaço para redução na taxa de juros e com ela a possível retomada, mesmo que lenta do consumo das famílias. Evidentemente que devemos ter os pés no chão, à medida que este consumidor está com sua renda enfraquecida, milhões amargando desemprego e endividados. Por isso a colocação de recuperação lenta.

Outro ponto de estímulo é o limitador de gastos do governo. O propósito de optar por uma política fiscal austera gera confiança dos agentes econômicos, estes que podem, gradativamente, sair da defensiva. Pode aparentar um contrassenso, afinal elevar os gastos públicos gera mais recursos ao mercado, mas o que está em jogo é a solvência ou não do Estado, portanto, austeridade vai no sentido de combater a causa do desequilíbrio da economia. Além do limitador de gastos, o atual governo já colocou na pauta a reforma da previdência e um minirreforma das leis trabalhistas.

Observem que a somatória de ações permitirá criar um novo momento na economia brasileira. Também devemos considerar que o desempenho econômico não poderá cair infinitamente. A própria inércia faz com a retomada seja realidade.
Resumindo: ainda conviveremos por um tempo com números ruins. Ali na frente, muito provavelmente no segundo trimestre de 2017, a economia parará de piorar e no segundo semestre poderemos observar crescimento. Compartilho das previsões de 0,5% de crescimento no ano fechado, mas alicerçado no desempenho do segundo semestre.

Se os desafios não são poucos, se a recuperação econômica poderá ser lenta, resta-nos continuar praticando a austeridade, sendo estrategistas para nos anteciparmos a eventuais adversidades e ainda aproveitarmos a virada de calendário para, com forças renovadas, enfrentarmos tudo e todos!

Somente a força do trabalho é capaz de ajudar na superação. Que venha 2017! Eu encararei este novo ano com otimismo realista. Pés no chão, mas acreditando que dias melhores virão. E você?

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