Será o fim da recessão?

Será o fim da recessão?

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O Banco Central do Brasil divulgou o índice IBC-Br (Indicador do Banco Central – índice que visa se antecipar a tendência da evolução do Produto Interno Bruto) do mês de fevereiro e seu resultado indicou aumento de 1,31% na atividade econômica brasileira se comparado a janeiro deste ano.

Surpreendeu o mercado à medida que a maioria apontava para crescimento, mas não neste patamar. Parte do crescimento do índice pode ser atribuído a mudança de metodologia do indicador: mais abrangente. O Banco Central trabalhava com metodologia de 2011 e agora atualizou sua base de dados. Agora são mais empresas dos setores de serviços, comércio, indústria e agropecuária.

Independentemente da nova metodologia a pergunta que não quer calar: será o fim da recessão? Vale lembrar que a recessão é caracterizada por trimestres consecutivos de queda do Produto Interno Bruto e o Brasil observa retração econômica há mais de dois anos. Voltando à pergunta: saímos da recessão?

É cedo para esta conclusão, mas podemos entender que o desempenho econômico está chegando ao ponto de inflexão, ou seja, ponto de ruptura do processo de queda e iniciando a subida. Os grandes problemas: não há uniformidade na recuperação setorial e muita lentidão na retomada.

Em uma linguagem mais simples: tudo aponta para o fim da queda, isto é, a atividade econômica parou de cair e quando isso ocorre há um tempo para as coisas se ajustarem internamente.

O setor primário da economia aponta para safra recorde de grãos. A indústria ainda patina, mas alguns setores “termômetros” como os de embalagens e de bens de capital começam a dar sinais de crescimento. O comércio convive com muitas oscilações, mas principalmente o varejo tem se animado com a queda dos juros e ainda soube capitalizar em cima da liberação dos recursos das contas inativas do FGTS. O setor de serviços cresce no vácuo dos demais setores.

O crescimento apontado pelo Banco Central somente indica que pode estar um curso um novo ciclo de crescimento, mas não permite contundência no tocante a dimensão desta recuperação, notadamente se levarmos em conta o nível desemprego do País, afinal, são mais de 13,5 milhões de pessoas em busca de uma vaga no mercado de trabalho, isso sem considerar outros tantos milhões que vivem no subemprego e na informalidade. As empresas demoram a contratar, usam a capacidade ociosa em sua plenitude.

Há um longo caminho pela frente, pois além dos desafios da economia, como continuar com o ajuste fiscal, promover as reformas e retomar definitivamente a confiança dos agentes econômicos, também há o fator político, com todas as denúncias da lava-jato, atingindo inclusive figuras importantes da cena política. Esta pode ser considerada a variável incontrolável.

Diante de tantas notícias negativas fiquemos ao menos com a melhora apontada pelo Indicador do Banco Central. Não resolve os problemas, mas sem dúvida é alento.

Imagem ilustrativa./ Foto: Reprodução/ El País

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