Será que agora vai?

224

Diante da máxima de que o ano no Brasil somente se inicia após o carnaval é momento de refletir o que já ocorreu neste ano e o que está por vir no campo econômico.

Nestes dois primeiros meses do ano já sabemos que a inflação tem se comportado bem. A partir dos dados iniciais as projeções apontam para o cumprimento da meta fixada pelo Banco Central, fechando o não mais próxima dos 4,5% (centro da meta). Ações firmes do Banco Central combinadas com a melhoria da oferta das commodities e ainda a calmaria no câmbio, permitiram trazer a inflação de dois dígitos para este patamar.

Por falar em câmbio, outra variável que está sob controle. A cotação média diária gira em torno dos R$ 3,12 (dólar comercial para venda) evitando que se instale a chama inflação importada. Isso também tem ajudado a reduzir em Reais (R$) o endividamento em moeda estrangeira de muitas empresas brasileiras. Evidentemente que ainda há riscos de oscilações, mas pelo menos no curto prazo a cotação está comportada.

Neste início de ano a Bolsa de Valores no Brasil foi bem. Está fortalecida e atraindo o capital estrangeiro (que ajuda a manter o dólar baixo).

Inflação contida permitiu a redução da taxa básica de juros, agora em 12,25% ao ano. Com ela, cria-se expectativa que em algum momento os juros caiam na ponta, para o tomador final. Os bancos ainda resistem, mas logo logo terão que sair da defensiva.

Também nestes dois primeiros meses amargamos o agravamento do desemprego. Quase 13 milhões de brasileiros estão em busca de uma recolocação no mercado de trabalho formal, sem sucesso.

Ainda cresce o número de famílias endividadas, e o número de empresas que fecharam suas portas.

A Petrobras neste período observou sua nota de risco elevada, criando novas expectativas quanto a custo da rolagem de sua dívida e a recuperação da robustez patrimonial, perdida diante da corrupção, desmandos e desvios a que foi submetida.

Nas finanças do lar já tivemos que pagar matricula escolar, comprar material escolar, pagar IPVA e rebolar para não perder o controle financeiro da família.

Observem que muita coisa ocorreu no intervalo do fim do ano passado e este momento pós-carnaval.

É fato que muitas decisões importantes se darão daqui para frente, mas é fato também que quem ficou parado, esperando “o ano começar” já perdeu parte do bonde da história e vai ter que dar velocidade nas coisas se quiser ficar na mesma “pauta”.

E que vem pela frente? A discussão nada fácil da reforma da previdência, juntamente com outro tema muito delicado que é a minirreforma trabalhista, tendo como pano de fundo o equacionamento do endividamento público e a recuperação da economia.
Se no balanço de janeiro e fevereiro as coisas não foram tão fáceis, é certo que daqui para frente tudo tem que ocorrer em velocidade de cruzeiro, caso contrário, as perdas serão muito maiores do que os ganhos.

O otimismo realista deve imperar, pois há bons sinais de recuperação da economia, mas a travessia será longa, e será preciso usar toda energia disponível, mesmo que esta esteja prestes a exaurir.

Se faltava passar o carnaval para o ano começar, não falta mais nada. E aí: será que agora vai? Eu penso que sim!

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here