Sinais da recuperação econômica

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É inegável que há uma certa ansiedade entre os agentes econômicos. Depois de anos duros, convivendo com um forte ciclo recessivo, todos querem que inicie logo a recuperação econômica, permitindo aos trabalhadores recuperação do emprego e reposicionamento profissional, aos empresários a retomada das vendas com lucro, o governo recuperação da arrecadação tributária, e as famílias em geral, mais tranquilidade para conduzirem seu dia a dia financeiro.

Afinal há sinais de recuperação da economia? As ações implementadas pela equipe econômica comandada por Henrique Meirelles indicam este caminho?

Vamos mapear alguns pontos que podem ajudar a confirmar ou não esta questão. É inegável que o controle inflacionário é um dos grandes trunfos da equipe econômica. O Banco Central brasileiro auxiliou em muito a derrubar os índices inflacionários para os limites fixados como meta, e a projeção para a inflação deste ano, compartilhada pelo mercado é que fique no centro da meta de 4,5%. A confiança é tanta que tem permitido ao Banco Central reduzir a taxa básica de juros, e com ela o alívio às empresas que precisam de capital de giro, e ainda o estímulo ao consumo das famílias. Vale destacar ainda que inflação baixa elimina o que denominamos de imposto inflacionário, garantindo o poder de compra do dinheiro das famílias (a inflação baixa deixa de corroer este poder de compra).

Se analisarmos setorialmente, o agronegócio que também enfraqueceu no último ano, volta a apresentar crescimento. O País observa safra recorde. Lembrando que o conceito de agronegócio vai além da análise do setor primário, pois envolve todos os agentes que operam nesta cadeia produtiva, indo do setor básico, passando pelo setor industrial, atingindo o setor de serviços.

Indicadores deste ano demonstram que os supermercados voltaram a crescer em vendas. Aqui a constatação que as famílias voltaram ao consumo. Outro segmento que vem recebendo forte incentivo é o da construção civil. Linhas de crédito mais amplas e abundantes retiram as famílias da defensiva, principalmente quando há possibilidade do uso de fontes recursos como o FGTS. Falando em FGTS a possível injeção de mais de R$ 30 bilhões das contas inativas também ajudam na movimentação da economia. Até mesmo o setor automotivo brasileiro já demonstra normalização de seus estoques.

Outros sintomas positivos vêm do bom momento da Bolsa de Valores brasileira, medido pelo Ibovespa, que demonstra bom movimento financeiro e vigor na valorização das ações. Também o mercado cambial “calmo” é a constatação que é baixo o nervosismo interno, com atração do capital de estrangeiro.

É evidente que todos somos sabedores que a recuperação será lenta, mas é preciso ter um olhar para frente, principalmente considerando que algumas ações macroeconômicas como o ajuste fiscal, a reforma da previdência e a minirreforma trabalhista estão em curso, que somadas as ações microeconômicas, permitirão maior velocidade nesta recuperação.

A projeção de dias melhores para este ano, notadamente no segundo semestre, pode ser mantida.

Agora é o momento de conter a ansiedade, manter a vigilância e estar preparado para o fim do ciclo recessivo.

Imagem ilustrativa./ foto: Reprodução/ HR Portugal

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