Sucessão presidencial: evite agir como torcedor de futebol

Escrito por em 1 de fevereiro de 2018

As redes sociais criaram, entre outros recursos, o que podemos denominar de instantaneidade da informação e da reação das pessoas a partir dela. Isso pode ser utilizado tanto para esclarecer, como questionar, chegando a enganar as pessoas. Como a internet ainda é o ambiente com pouco controle, tudo se prolifera rapidamente, tanto para o bem como para o mal.

Com reações imediatas das pessoas que se utilizam das redes sociais o risco que corremos é que não aja aprofundamento ou um crivo critico em relação àquilo que circula neste novo mundo da internet.

No caso da sucessão presidencial deste ano o que se observa é um pouco desta falta de aprofundamento no debate sobre os graves problemas do Brasil.

Tomemos como exemplo a recente condenação em segunda instância do ex-presidente Lula. Os que defendem Lula atacam o judiciário e sua decisão, os que atacam Lula, desejam que a prisão dele seja imediata. Tudo que se coloca são projeções com cenários com ou sem Lula. Somente isso.

As questões que se apresentam vão além da candidatura deste ou daquele político. São inúmeros os questionamentos, tais como: como atacar os graves problemas do Brasil? Vamos encaminhar a sucessão presidencial nos limitando a debater quem irá concorrer quem serão os candidatos ou iremos nos concentrar nos desafios futuros deste País? O perigo do reducionismo do debate político pode custar muito caro a todos nós.

Precisamos colocar na pauta do dia questões como: qual o melhor modelo econômico que leve o País ao desenvolvimento econômico; como implementar políticas públicas que ataquem as desigualdades sociais; como criar um ambiente de negócios que gere segurança aos investidores; como criar condições para a volta do emprego; como atacar os gargalos na infraestrutura; como avançarmos em ciência e tecnologia; como minimizar o caos da saúde pública; como melhorar os indicadores da educação brasileira; como preparar o País para o enfrentamento da violência; como melhorar a pauta de produtos para exportação; como introduzir a tão sonha reformada tributária; como dar andamento a reforma política; quais as estratégias para equacionar o déficit da previdência social; como utilizar os instrumentos de política macroeconômica para garantir o cumprimento das metas de crescimento, controle de inflação, distribuição de renda e geração de emprego; quais regiões precisam ser incentivadas e como isso se dará; entre outros temas relevantes.

Observaram que se focarmos somente quem serão os candidatos perderemos a oportunidade de repensar o Brasil? De certa maneira um pequeno grupo que pensa somente em seu bem estar pessoal e alguns políticos que querem manter foro privilegiado querem manter a população focada nesta coisa rasa da política. É preciso abrir o olho para ser levado por esta onda.

Aqueles que por esforço pessoal ou pelas circunstâncias que a vida lhe ofereceu conseguem ter uma visão mais amadurecida da vida do País, mais crítica, ou seja, os esclarecidos, têm por dever não embarcar no debate raso que alguns segmentos da sociedade insistem em pautar.

Precisamos entender que sucessão presidencial não é torcida de time de futebol, apostando neste ou naquele candidato.

Vamos apertar aqueles que pretendem concorrer ao pleito deste ano. Vamos analisar os currículos, o que pensam no tocante as soluções para o Brasil, aprofundando o debate e permitindo que, no campo das ideias, escolhamos o melhor quadro para conduzir o destino deste gigante adormecido que é o nosso País.

Não há espaço para briga de torcidos e tampouco para o reducionismo no debate do projeto chamado Brasil. Na sucessão presidencial não se comporte como torcedor de futebol e ajude a repensar o Brasil!


94FM ao vivo

Essa Rádio Pega

Current track
TITLE
ARTIST

Background