Sete mãos, muitas pernas, poucas cabeças

Por on 8 de agosto de 2018

Os apontamentos do Ministério Público nas investigações que levaram às denúncias oferecidas pelo operação sete mãos deixam claro que não é preciso nenhuma grande engenharia para se burlar leis e incluir documentação falsa em processos que tramitam na esfera administrativa municipal. Talvez não sejam necessárias nem mesmo sete mãos. Uma leitura rápida das mais de oitenta páginas do processo mostram que a questão muitas vezes é de onde cabe nas muitas leis existentes, o pedido que está sendo feito. O caso do Loteamento Chácaras Bauruenses, segundo o Ministério Público, tratou-se do concurso de gente influente, com os mais diversos interesses que se materializaram numa interpretação enviesada da lei e finalmente na falsificação de um documento para satisfação do propósito comum. E não foi necessário jogar o documento em uma gaveta com um grilo sujo de terra. Nada mais simples e talvez seja esse o maior dos problemas. O caso das sete mãos seria o único ou teríamos muitas outras pernas a percorrerem os mesmos caminhos no emaranhado de leis e interesses que envolvem o setor em Bauru. Em manifestação sobre o caso, o prefeito fala em tolerância zero com casos de corrupção que forem descobertos. Ok. Mas não seria o caso de se buscar procedimentos que identificassem previamente os riscos de dano ao erário em situações como as relatadas pelo Gaeco em sua denúncia? Afinal, a fragilidade de todo o sistema foi exposta mediante a movimentação de apenas sete mãos e a possibilidade de uma indicação cargo de destaque no judiciário. É preciso fechar a porteira, prefeito. Pois como diz o ditado: onde passa um boi, passa uma boiada. Oremos.

Foto ilustrativa: Reprodução/www.ecosdanoticia.net.br


Comentários

Escreva um Comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios*



Current track
Title
Artist

Background