A alarmante desigualdade de renda

Por on 17 de outubro de 2019

A desigualdade de renda no País alcançou patamar não antes observado. Os dados são de 2018, os mais recentes divulgados pelo Instituto de Geografia e Estatísticas (IBGE).
A situação da renda no Brasil é a seguinte: quase 104 milhões de brasileiros, portanto, a metade mais pobre da população vivia com apenas R$ 413 mensais, considerando todas as fontes de renda. Na outra ponta somente 2,1 milhões de pessoas (1% mais ricos) tinham renda média de R$ 16.297 por pessoa. Isso indica que pequena parcela da população brasileira recebe cerca de 40 vezes mais que a metade da base da pirâmide.

Além desta distorção, chama a atenção o fato de 10,4 milhões de pessoas, o equivalente a 5% da população, sobreviveram, isso mesmo, sobreviverem com apenas R$ 51 mensais, em média. Quando a análise é ampliada para os 30% mais pobres, isto é, 60,4 milhões de pessoas, a renda média per capita sobe apenas para R$ 269.

O índice de Gini, que mede concentração ou descontração de renda (quanto mais perto de zero menos concentrada a renda, quanto mais perto de 1, mas concentrada a renda) subiu de 0,538 em 2017 para 0,545 em 2018, sendo o patamar elevado nos últimos anos. Comprovação que efetivamente a desigualdade de renda no Brasil é alarmante.

Resumo: os mais pobres ficaram mais pobres, os mais ricos ficaram mais ricos.
Estes números deveriam ser estampados em letras garrafais em todas as esferas do setor público, e principalmente aos políticos que insistem em lutar pelo seu curral eleitoral e não priorizam as reformas estruturantes necessárias para retomar e sustentar o crescimento econômico do País.

Também estes números devem servir de alerta para aqueles que ainda acreditam em modelos econômicos populistas, sem compromisso com austeridade fiscal, que foram utilizados a exaustão nos governos recentes, que levaram a dois anos de recessão e a dois anos e meio de baixo crescimento, jogando milhões de brasileiros na fila do desemprego e na miséria.

Considerando que a matriz macroeconômica indica que é preciso manter a inflação controlada, criar condições para o País crescer, com isso gerar emprego e ainda estabelecer distribuição justa de renda, fica evidenciado que os desafios atuais são de tamanha grandeza que cada dia que passa o abismo social fica mais evidente.

A todos os agentes econômicos, sejam eles do setor público ou privado: uma nação é construída com justiça social, constatar a desigualdade de renda e a sociedade em seu todo, e o setor público em particular, não agirem na direção da reversão deste quadro é praticar um individualismo que não nos levará a lugar algum.

Precisamos nos indignar com a distorção de renda do Brasil e propor ações que promovem a justiça social. É o mínimo a fazer.


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