A cigarra e a formiga

Por on 8 de maio de 2020

Uma das fábulas mais conhecidas no mundo “a cigarra e a formiga”, do original “o gafanhoto e a formiga”, retrata em boa parte como a pandemia do Covid19 impacta de maneira diferente as pessoas, e em especial como determinadas Autoridades Públicas vêm tratando a questão.

A fábula aponta que a cigarra canta durante o verão, enquanto as formigas trabalhavam para acumular provisões em seu formigueiro. No inverno, desamparada, a cigarra faminta pede-lhes um pouco de grãos que colocaram para secar; perguntada sobre o que fez durante todo o verão, responde que não teve tempo para acumular comidas pois passou o tempo todo cantando.

São inúmeras as leituras atuais desta fábula. Uma lição vai no sentido de que cada família precisa em tempos de plenitude da força de trabalho, “provisionar” reservas para os tempos bicudos. Isso serve para as empresas, notadamente as de menor porte.

No tocante ao comportamento das Autoridades Públicas, felizmente somente parte delas, além de não terem uma gestão voltada a criar “reservas” financeiras e investirem os recursos públicos no que mais atinge a população, e no caso presente, há clara evidência que seria no setor de saúde, ainda enfrentam crises como a atual como se estivem em palanques eleitorais.

As “Autoridades” cigarras “cantam” em busca de holofotes. Assumem comportamentos completamente divorciados da real situação da população. Se não bastasse isso prometerem soluções que não são concretizadas, são insensíveis no tocante ao amparo dos menos favorecidos. Só par exemplificar esta situação, milhões de brasileiros em nível Brasil e milhares em nível local, considerados cidadãos invisíveis ao setor público, precisam de ajuda.

As cigarras são incapazes de oferecer, por exemplo, ajuda para um simples cadastramento para receber auxílio governamental. Permitem que estes estejam em filas, na rua, sem mexer uma palha, como oferecer cadeiras, tendas, entre outros equipamentos para reduzir a dor da espera. Com equipamentos ociosos no setor público, as cigarras não abrem frentes em creches, escolas, igrejas, templos, visando ir ao encontro desta população.

As cigarras exigem uso de máscaras, e agora indicam até multas, mas não mexem uma palha no sentido de oferecer pelo menos orientação de como seria o uso correto destas máscaras.

No aspecto econômico, não divulgam nenhum indicador de desempenho que permita avaliar qual a dimensão da crise em nível local, e mais que isso, como, de maneira planejada, a cidade sairá da crise.

Enquanto as cigarras cantam, as formigas, formadas por micro, pequenos, médios e grandes organizações continuam trabalhando. Também as cigarras formadas por profissionais liberais, por trabalhadores da construção civil continuam firmes na labuta. Formadas ainda pelos heróis da saúde, pelos atendentes de supermercados, das farmácias, das padarias, e de muitas indústrias e o setor primário em especial estão aí, fazendo tripas coração para enfrentarem com dignidade este momento.

Como tudo na vida, cada um colhe o que plantou. Quem planta vento, possivelmente irá colher tempestade.
Cigarras que cantavam antes, cantam agora, mas fiquem tranquilas, as formigas continuarão labutando de sol a sol.

Foto: FreePik


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