A desigualdade social

Por on 28 de fevereiro de 2019

Enquanto o Brasil busca um novo modelo econômico, agora liberal, os números da desigualdade social são alarmantes: a desigualdade é a maior em sete anos.

Renda concentrada e o precário mercado de trabalho são os dois principais fatores que potencializaram o verdadeiro abismo social brasileiro.

Os dados da Fundação Getúlio Vargas apontam que o índice de Gini atingiu 0,6259 na virada do ano passado. Lembrando que este índice indica o nível de concentração ou desconcentração de renda. Quanto mais próximo de um, mais concentrada a renda, quanto mais próximo de zero, menos concentrada a renda. Estamos andando para trás.

Os trabalhadores menos qualificados perdem seus empregos e não conseguem recolocação do mercado de trabalho, sendo obrigados a aceitar o emprego precário e salários menores. A recessão observada em 2015 e 2016 também achataram o salário mínimo, posto que a metodologia indicava ganhos reais desde que a economia crescesse. Isso não foi realidade. Também o baixo crescimento de 2017 e 2018 contribuiu para reduzir o poder de compra do salário mínimo.

De fato reduzir a desigualdade social é um dos maiores desafios que o Brasil tem pela frente, afinal, de cada quatro brasileiros, um é obrigado a se manter como menos de R$ 400,00 por mês e, dentro deste grupo, cerca de 15 milhões de pessoas precisam se manter com menos de R$ 104,00 por mês.

O primeiro e importante passo para o quadro melhorar é a retomada do crescimento econômico. Dentro da teoria do bolo, se ele não crescer, o volume a repartir é menor. Na sequência vem à geração de emprego. Neste particular enquanto não houver sinalização firme de que o crescimento econômico se sustenta ao longo do tempo, os investimentos produtivos serão baixos e somente ocuparemos a ociosidade na capacidade produtiva existente.

Ocorrendo a retomada do crescimento econômico e mesmo que lentamente a retomada do emprego será o momento de introduzir políticas compensatórias. As políticas sociais precisam ir ao encontro da justiça social. Isso não deve ser executado com paternalismo, mas com politicas públicas transformadoras, que efetivamente emancipem o cidadão, criando condições para que com seu esforço, possa sair desta situação precária e ter dignidade.

Dignidade que por sinal é sinônima de autonomia, de ser o dono de seu destino. E isso passa pelo trabalho, pela qualificação, pelo ensino e saúde públicos de qualidade.

Isso tudo não pode ser discurso, tem que ser a prática permanente de quem comanda o País, em todas as esferas – Federal, Estadual e Municipal e que seja uma tarefa de todos os Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário. Também tem que ser objetivo de todo cidadão de bem, ou seja, da sociedade como um todo.

Constatar que o abismo social existe e não estabelecer estratégias para reduzir este abismo é no mínimo ser omisso.
Que um novo ciclo econômico possa ser inaugurado, com prosperidade, e que venham com ele resultados sociais positivos.

Não é possível aceitarmos este estado de coisas. Vale a reflexão.

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