A economia derrete

Por on 28 de maio de 2020

Contra indicadores sérios não há argumentos: a economia brasileira derrete e a realidade local não é diferente. Semanalmente acompanho e analiso os principais indicadores econômicos e é fácil concluir que os brasileiros sentirão, e boa parte já sente os efeitos da quarentena prolongada por conta de Decretos visando o combate da proliferação da infecção provocada pelo novo coronavirus, o Covid19.

Sem o pleno funcionamento das atividades econômicas, notadamente do setor terciário da economia (comércio e serviços) que representa cerca de 70% do Produto Interno Bruto (por sinal, também principal setor da matriz econômica de Bauru), as projeções de crescimento não param de cair.

De um possível crescimento econômico para este ano acima de 2%, aos poucos as projeções foram revistas para menos, até atingirem o patamar negativo próximo a 6% acima da inflação.

Ouso projetar que de 12 meses de produção, o País gerará 11 meses de riqueza. Estamos falando de perda de mais de 8% na renda nacional. Isso é muita coisa para um único ano. Seria o equivalente a combinação de dois anos de recessão do governo Dilma Rousseff. Vale destacar que sequer o País se recuperou destes dois recentes tombos.

Fixando energia neste indicador de geração de riqueza, no caso, de não geração de riqueza, fica evidente que o País e a cidade em particular, não possuem musculatura financeira para manter o isolamento social por mais tempo. Não se trata de abrir mão da saúde ou da vida, como alguns políticos insistem em afirmar, mas sim de se render à realidade: ela é cruel!

Qual as principais consequências para a economia quando ocorre recessão, como a projetada para este ano? Empresas deixam de operar em plena carga e, pela dimensão da recessão prevista neste ambiente de pandemia, centenas de milhares de empresas fecharão suas portas. Empreendedores, notadamente de negócios de pequeno porte, quebrarão, perderão seu pequeno patrimônio construído ao longo de anos de trabalho.

A outra consequência, até mais grave do que a primeira citada, é o crescimento do desemprego. Para um País que já observava números alarmantes de desemprego, jogará na rua milhões de brasileiros que verão seus parcos recursos evaporarem até que a miséria seja a triste realidade.

A miséria, por sinal, será a consequência mais grave da recessão indicando caos social. Dos 50 milhões de brasileiros que sobreviviam antes da pandemia com menos de R$ 420,00 por mês, e destes cerca de 15 milhões sobrevivendo com menos de R$ 120,00 por mês, poderemos ter um crescimento expressivo, escancarando um abismo social que nos qualificará como País de miseráveis.

E em nível local? Falar do Brasil é falar de nossa cidade. Não imaginem as Autoridades Públicas locais que Bauru ficará isenta destas consequências. Como colocado, a matriz econômica da cidade também é alicerçada no setor terciário, e também como colocado, é o setor mais afetado pela pandemia do Covid19. Ignorar esta realidade e adiar decisões importantes no sentido de possibilitar ao menos a reabertura gradativa das atividades produtivas, é
desconhecer por completo a realidade da cidade.

Se para a tomada de decisão visando permitir aos empreendedores “sobreviventes” da pandemia que voltem a operar dependia de indicadores, não é preciso mais esperar: os números macroeconômicos projetados, e mais que isso, a realidade já sentida, tendo efeitos diretos na economia local, já falam por si só. É hora de agir para evitar o pior.


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