A pandemia e a teoria marginalista

Por on 2 de julho de 2020

O movimento econômico datado de 1870 introduziu a análise marginalista em contraponto ao entendimento da visão econômica clássica que apontava que os preços dos bens e serviços eram definidos pelo seu custo de produção. Na visão marginalista os custos de produção são importantes, mas a definição do valor das coisas também depende do nível de satisfação alcançado ao consumir tais bens e serviços. Desta maneira saiu de cena o chamado valor-trabalho e entrou o valor-utilidade.

O que a teoria marginalista tem a ver com a pandemia provocada pelo novo coronavírus, a Covid19? Vamos contextualizar.

O mundo em geral, e mais próximo de nós, o estado de São Paulo e em especial Bauru, implementaram uma primeira etapa que exigiu isolamento e distanciamento social. Todos nós ainda sem sabermos a dimensão do problema, fizemos a nossa parte. Acreditamos nas Autoridade Públicas notadamente quando indicavam que o isolamento era necessário para que o setor público se preparasse para o pior cenário, à medida que tínhamos e ainda não temos nem remédios eficazes e tampouco vacina. Pouco fizeram.

Depois de mais de 100 dias de isolamento vem ocorrendo o podemos chamar de efeito sanfona, ou seja, um abre e fecha, que ninguém entende. Com decisões sem embasamento científico (se existem não são divulgados) as pessoas passaram a emitir juízo de valor sobre o que vem ocorrendo.

Vejam o caso da cidade de Bauru, que numa quinta-feira foi elogiada pelos representantes do Estado, como exemplo de combate a pandemia, e no dia seguinte na sexta-feira, foi rebaixada para fase vermelha, imponto novo isolamento, mantendo somente as atividades essenciais.

Diante deste cenário o comportamento das pessoas segue em parte a lógica da teoria marginalista. Muitos, sem o senso coletivo, se comportam levando em conta a utilidade que o momento lhes traz. Diria mais, levando em conta seu nível de conforto.

Para quem opera no setor privado e não observou queda na renda e atua a distância, o isolamento social pode continuar. Também boa parte dos trabalhadores que atua no setor público e está no conforto do lar, também é favorável a manter as atividades produtivas fechadas. Isso não acontece com os que dependem do funcionamento próximo ao normal destas atividades. O Microempreendedor individual tem renda mensal abaixo de um salário mínimo. Os empreendedores dos setores afetados pelo fechamento exigido pelo novo Decreto Municipal compraram estoques, negociaram a volta de seus colaboradores, enfim, gastaram o resíduo financeiro na esperança de alavancarem vendas, e agora, tudo fechado! Não suportam mais.

Independentemente de sua situação: não tenha dúvida – a segunda onda virá, mas não a segunda onda da Covid19, mas sim a segunda onda de quebradeira, afetando mais fortemente os pequenos empreendimentos e agravando o desemprego.
A teoria marginalista nos ensina isso: quem tem conforto financeiro quer o status atual, quem luta pela sobrevivência quer avanços e, antes que alguém rotule estes de serem contrários a saúde pública, saibam que o rigor sanitário é que norteia o dia a dia destas organizações.

Quem não está na linha de frente dos empreendimentos não tem a menor noção da gravidade do problema. É hora de sair da zona de conforto e praticar mais do que nunca o espírito coletivo.


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