As costas largas do eleitor

Por on 9 de outubro de 2018

E como sempre acontece após os fracassos em nossas tentativas de eleger mais representantes no Congresso Nacional e na Assembléia Legislativa, os resmungos dos postulantes que não chegaram lá encontraram os responsáveis pelo fracasso. Sua Excelência: O Eleitor.

Na retórica oficial de alguns dos derrotados, o eleitor bauruense não sabe votar e sucumbe aos paraquedistas, esses invasores que nos roubam a chance que temos de conquistar uma maior representação em São Paulo e Brasília. A análise pode até parecer uma meia verdade, e como toda meia verdade, trata-se de uma mentira inteira.

Primeiro por que o formato da nossa eleição faz de qualquer canto do estado, seja Bauru ou Borá, um município com potencial para se buscar votos. Tanto é verdade que o nosso único candidato eleito, Rodrigo Agostinho, conquistou um terço dos seus votos em outras 80 cidades onde fez campanha.

Seria mais honesto, antes de culpar o eleitor, aceitar os inúmeros erros cometidos pelos próprios candidatos em suas estratégias. Qual a responsabilidade do eleitor quando uma candidato opta por um arranjo político que o obriga a ter 70 ou 80 mil votos para se eleger? É culpa do eleitor que no próprio legislativo local existam cabos eleitorais a emprestar seu prestígio a candidatos de fora, seja por conveniência do partido ou por gratidão em virtude de emendas ou conquistas intermediadas por estes? A questão é muito complexa.

Mas as costas do eleitor são muito largas e suportam o relho a cada quatro anos. O mais interessante é que alguns daqueles que apontaram o dedo para o incauto cidadão que reelegeu o Tiririca, estarão a dar tapinhas nas mesmas costas pedindo votos para prefeito. Afinal, essa eleição era apenas para fixar o nome.

Oremos.

Foto: Reprodução/ Internet


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