As três faces da moeda

Por on 11 de outubro de 2018

Era uma vez um País com recursos naturais fartos. Seu povo extremamente acolhedor. Por ser tropical, o ritmo quente é contagiante. Suas belezas naturais encantam a todos que ali visitam, por sinal, muitos destes adotam este País como seus.

As oportunidades para gerar riqueza são enormes. Por ser de dimensão continental possui um mercado consumidor a ser explorado, mas infelizmente nem tudo são flores.

Neste País há clara carência de liderança. Os chamados Estadistas não existem mais e sua classe política, com raras exceções, mete os pés pelas mãos e a corrupção corre solta.
Boa parte da população deste País está sem rumo. Caminha de um lado para o outro, às vezes, dá meia volta, e se distancia da “terra prometida”.

Durante a caminhada surgiram os salvadores da pátria. Com discursos de promoverem o bem-estar social, ofertaram pão e circo, mas se aproveitando da fragilidade da população priorizaram seu bem-estar pessoal, fruto do dinheiro do povo. Fazem rodas de discussão de como permitir a ascensão social do grosso da população, ao mesmo tempo em que se deliciam de bebidas caras, de caviar e de cantorias de artistas intelectualmente superiores e realizam estudos de como oferecer mais mortadela ao grosso da população.

O povo sofrido guarda na lembrança o pão e o circo. Quanto mais distante mora, mais tem desejo que estes “bons tempos” sejam resgatados.

O País que poderia ser próspero, em vez de olhar para frente, caminha com a cabeça voltada para trás, como quem espera um milagre. Aos poucos vão se dando conta que o milagreiro não existe mais, que este está “preso” ao seu passado e que o milagre real foi ampliar as benesses aos seus, deixando migalhas ao povo. Foi pura enganação e a conta chegou.

O povo, alertado para andar em frente, resolveu mirar seu olhar para o centro. Pouca coisa encontrou e o que se viu foi um material desgastado e não seria um bom caminho a ser trilhado. A população mais aberta fez um movimento de 180 graus. Olhou para a esquerda e depois para a direita, e a maioria decidiu que o lado direito seria mais seguro, até porque nunca foi testado, mesmo considerando inconsistente parte do que sinaliza. Uma minoria sequer quis analisar o que tinha do lado direito e fixou o olhar à esquerda e ali permaneceu. Este grupo além de fixar o olhar a esquerda, também olhou para trás, e passou a contar mentirosas histórias do salvador da pátria, que merecidamente está fora de combate por priorizar os seus interesses em detrimento dos interesses do povo. A cabeça deste grupo ficou neste movimento: à esquerda e para trás.

Este País, agora dividido, concluiu que a moeda que circula entre as pessoas tem três faces: um lado representando a direita, a outra a esquerda e a terceira face nem uma coisa e nem outra, muito pelo contrário. Povo criativo que acabou de inventar a moeda de três faces, inovação entre os Países capitalistas.

E que esta moeda indica como futuro? Que o caminho será árduo, que os espinhos deixarão suas marcas e que a terra prometida estará tanto mais distante quanto menos unida for à população do País aqui retratado.
Enquanto isso os intelectuais de plantão tentam entender que fenômeno é esse que deixou este povo sem lenço e sem documento, sem rumo e sem esperança e sem liderança.

Ao jogar a moeda de três faces para cima para ao cair no chão e indicar o lado vencedor, o que se viu é que tiveram que ficar com o lado menos ruim, e mesmo assim sem clareza se este é o lado vencedor, posto que uma moeda com três faces o resultado apontado por ela é no mínimo duvidoso. Triste caminho para um povo sofrido.
Felizmente o aqui retratado é apenas mais um conto de quem tenta colocar a imaginação acima da realidade. Será?

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