Autoridades públicas no combate ao covid19: “samba de uma nota só”

Escrito por em 04/05/2020

Acompanhando diariamente o posicionamento e o comportamento das autoridades públicas, nossos representantes no executivo estadual e municipal, me fez lembrar o mestre Tom Jobim e do compositor Newton Mendonça quando fizeram a música “samba de uma nota só”, em que a base musical era uma só.

Alguns trechos da música representam bem este comportamento de uma nota só: “eis que este sambinha feito de uma nota só, outras notas vão entrar, mas a base é uma só”, em seguida os autores escrevem “quanta gente existe aí que fala tanto e não diz nada ou quase nada, já me utilizei de toda a escala e no final não sobrou nada, não deu nada”.
Observem como isso é verdade: “autoridade, é preciso um olhar multidisciplinar para o enfrentamento da Covid19”, resposta ao cidadão irrequieto: “sim, vamos considerar, desde que seja como a saúde deseja”. “Autoridade, não é possível ter um olhar local e solicitar estudos para que a sua cidade, que tem comportamento no tocante a proliferação da doença, não tratada como a capital que tem resultados mais graves?”. Resposta da Autoridade: “claro
que sim, mas não farei nada pois há um decreto estadual”. Nova pergunta a Autoridade: “na reunião com o governador poderia argumentar as características locais para que ao menos seja realizado um estudo, sério, com toda segurança sanitária, para que a geradores de riqueza voltem gradativamente a operar”. Resposta da Autoridade: “sim, farei a pergunta ao governador”. Já na reunião “online” com o governador: “é sua vez de falar” diz o governador.

A autoridade, nervosa, medindo palavras, afinal, está chegando agora ao novo ninho, não pode ficar mal na fita: “veja bem, vamos dizer assim, bem, na verdade precisamos de mais leitos na cidade”. Só isso? Pergunta um interlocutor. Resposta da autoridade: “Só isso”!

Claro que o texto acima segue a possibilidade que a democracia nos permite, portanto nos dando “liberdade de expressão” e diria “liberdade poética”, mas em algum momento retrata o quanto parte das autoridades públicas estão completamente divorciadas dos interesses locais e, baseados em suas próprias convicções, enclausurado em salas refrigeradas, ouvindo a voz daqueles que falam o que esta autoridade quer ouvir, não fazem um movimento sequer para
tentar ao menos argumentar que é possível mudar a realidade existente.

A conclusão: à sociedade resta somente esbravejar, participar de “zoons” e “lives” com estas autoridades, mas de concreto mesmo, é que serão tratados como oportunistas, que somente querem o lucro, e ainda que promovem “carreata da morte”.

Resta saber de que morte as autoridades públicas estão falando, afinal isso pode ser interpretado de muitas maneiras, inclusive morte política.

Será que é pedir muito para que as autoridades consigam ao menos equilibras suas ações, acrescentando nem que seja uma nota adicional e este “samba” de uma nota só?

É meu caro Tom Jobim, quem diria, que sua música lançada em 1963 pudesse ser tão atual.

Tudo isso seria cômico, se não fosse trágico.


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