Bebê da capa de ‘Nevermind’ processa o Nirvana por pornografia infantil

Escrito por em 30/08/2021

Sua imagem, a de um bebê de poucos meses nadando nu numa piscina e perseguindo uma nota de um dólar, se tornou uma das capas de disco mais famosas e reproduzidas de todos os tempos. Agora, 30 anos depois do lançamento do álbum Nevermind, da banda Nirvana, o protagonista da foto, Spencer Elden, decidiu processar a banda norte-americana por considerar que aquela foto constitui um crime de pornografia infantil. Elden reivindica uma indenização para reparar, como diz a ação, “os danos que sofreu e continuará sofrendo por toda a vida”.

A popular foto foi uma ideia do malfadado líder do grupo, Kurt Cobain. A ideia era representar um recém-nascido que perseguia o dinheiro apesar de estar embaixo d’água, nu e indefeso, conforme relatou ao The Guardian o fotógrafo Kirk Weddle. A imagem foi lida como uma crítica ao capitalismo, mas Robert Y. Lewis, o advogado de Elden, oferece uma interpretação incomum para argumentar que ela cruza a linha da pornografia infantil, pois a inclusão do dinheiro na foto faz que o bebê apareça representado “como um trabalhador sexual”.

“Os acusados promoveram pornografia infantil de Spencer de maneira intencional e comercial, e fizeram uso da impactante natureza da sua imagem para divulgarem a si mesmos e à sua música à custa de Spencer”, diz a peça de denúncia apresentada a um tribunal californiano e citada pela mídia dos EUA. Entre os apontados pela denúncia aparecem Dave Grohl e Krist Novoselic, que junto com legendário Kurt Cobain (1967-1994) compunham a formação clássica do Nirvana, informa a agência Efe.

Estranhamente, entre os possíveis réus na ação também se encontra Chad Channing, que foi baterista do Nirvana em seus primeiros anos e deixou a formação em 1990, ou seja, antes do lançamento de Nevermind.

Não é a primeira vez que Elden – que tinha quatro meses quando a foto foi feita e tem a palavra Nevermind tatuada no peito – mostra sentimentos ambíguos com relação àquela imagem, pela qual seus pais receberam 200 dólares (cerca de 1.000 reais, pelo câmbio atual). Em 2016, numa entrevista à revista Time, ele manifestava sua indignação por não ter recebido uma compensação econômica compatível com o fato de estampar a capa de um álbum que vendeu 30 milhões de cópias e foi reproduzida em produtos de todo tipo. “Todos os envolvidos têm toneladas e toneladas de dinheiro. Sinto que sou o último pedacinho do rock grunge”, disse Elden. “Moro na casa da minha mãe e dirijo um Honda Civic”, queixou-se. O próprio Weddle, com quem ele manteve o contato ao longo dos anos por ser amigo dos seus pais, disse na entrevista ao The Guardian que Elden sente “que todos ganharam dinheiro com isso e ele não”.

Apesar das posições que adotou, Elden voltou a encenar aquela capa várias vezes, por exemplo para a revista Rolling Stone. No 25º aniversário do lançamento do disco, em 2016, ele propôs aparecer nu como na imagem original, mas o fotógrafo acabou se decidindo por retratá-lo com traje de banho, cabeleira solta e coberto de tatuagens. “Ele achou que seria esquisito, então pus meu calção de banho”, comentou na época ao The New York Post.

Fonte: El Pais


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