Caindo na real

Por on 2 de maio de 2019

Cada um de nós certamente fez suas promessas, estabeleceu suas metas, renovou seus propósitos para o novo ano, e agora chegou a hora de cair na real. Se isso vale para nós, não há dúvida que vale para o governo Bolsonaro.
Neste contexto, o que seria então cair na real? Pensemos juntos. Se em sua casa, na empresa que você trabalha, na Entidade que participa realizar mudanças é sempre difícil e pode ser moroso, imagine no setor público.

O desejo de realizar se esbarra na burocracia e, em um País cuja Constituição foi trabalhada para um regime Parlamentarista e prevaleceu o Presidencialismo, a participação do Congresso Nacional passou a ser fundamental, portanto, negociar é preciso.

Por tudo que foi sinalizado pela área econômica está evidenciado que se não houver capacidade de negociação com a Câmara de Deputados e com o Senado Federal as coisas não andarão. Observem que isso vai além da capacidade do Presidente Bolsonaro comunicar diretamente com a população é sim jogo político mesmo.

Mesmo com esta constatação o “cair na real” não pode ser sinônimo de desânimo. As metas prioritárias precisam ser perseguidas, custe e o que custar, e o Presidente e sua equipe não podem transformar promessas em desculpas, o que infelizmente é muito comum no meio político.

Em seu discurso de posse o agora Presidente da República Jair Bolsonaro reforçou pontos que nortearam suas promessas para ser eleito, demonstrando coerência. Dentre os pontos que abordou destaco o fato de deixar claro que é preciso enfrentar o déficit fiscal. Disse claramente que fará todos os esforços para que os gastos públicos sejam no limite da arrecadação. Na prática o que isso quer dizer? Que ou aumenta a arrecadação tributária ou reduz o gasto ou as duas coisas ao mesmo tempo.

A expectativa dos agentes econômicos é que os gastos públicos sejam cortados. Neste particular não há saída viável sem equacionar o rombo da Previdência Social. Para cair na real aqui é preciso não perder o timing: ou faz agora ou haverá especulações de toda ordem. Aqui é idêntico ao jogador que tem o último pênalti para bater, ou seja, se marcar o time vence se errar o time perde. O Brasil não tem mais tempo para se recuperar caso o pênalti seja desperdiçado.

Não equacionar o déficit público não traz problemas somente para o governo e sua governabilidade, o que estamos falando é de encontrar um caminho para que a qualidade de vida do cidadão brasileiro melhore. É isso que está em jogo neste momento. O ambiente de negócios precisa ser melhorado para que a roda da economia volte a girar e com ela a volta do emprego e da renda.

Nada, mas nada mesmo será valorizado se o abismo social herdado por Bolsonaro continuar na dimensão atual. Como é possível aceitar que um em cada quatro brasileiros sobrevivem com menos de R$ 400,00 por mês por pessoa? E que é mais grave: dentro deste contingente cerca de quinze milhões de pessoas sobrevivem com menos de R$ 104,00 por mês por pessoa. A volta do emprego e da geração de riqueza são passos iniciais na direção da reversão deste quadro.
Isso por si só deveria ser o combustível para discussões ideológicas e o salve-se quem puder pudessem ser deixados de lado.

Se o mundo real não é exatamente o que a teoria preconiza, ao menos a confiança, que se transforma em esperança, criará ambiente favorável às mudanças. O choque de realidade não pode ser desculpa para perda foco e esmorecimento.

Foto: Reprodução/ Internet


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