Choque de realidade

Por on 5 de novembro de 2018

Os ciclos econômicos são realidade. Por mais que haja avanço da ciência econômica a alternância de prosperidade e recessão acaba acontecendo. Quanto mais frágil é a economia do País, mais suscetível a estes ciclos estará.

Infelizmente o Brasil se enquadra nestas economias frágeis. Não é por acaso que nós economistas rotulamos os ciclos econômicos brasileiros como “voo da galinha”. Uma alusão ao fato de iniciarmos uma curva de crescimento econômico e, sem sustentação estrutural, no momento seguinte esta curva passa a ser descendente. Parece que a economia vai deslanchar e os gargalos não equacionados nos puxam para baixo. Assim como galinha não alça voos altos e não se sustenta no ar, a economia brasileira não se garante em longo prazo.

Tudo isso para chegar ao ponto central da realidade brasileira: choque de realidade. Mesmo que para alguns os palanques ainda estejam armados, a realidade é que as eleições acabaram e a equipe econômica de presidente eleito, Jair Bolsonaro, terá que dizer a que veio.

Como a Ciência Econômica está bem evoluída não é preciso gastar muita energia para saber quais são os desafios que se apresentam. Com ou sem superministério da economia, com ou sem guru econômico, o caminho a ser trilhado é conhecido e será preciso muita capacidade em negociação para que efetivamente a sustentação do crescimento econômico saia do papel.

De maneira bem prática o primeiro e grande desafio é equacionar o déficit público. Neste particular estamos falando de receita tributária e despesas públicas. Observem que são duas frentes que se subdividem em diversas outras frentes. Receita tributária envolve todo sistema de arrecadação, sistema este complexo e caro, portanto, a expressão reforma tributária tem que fazer parte da pauta principal. Não nos iludamos imaginando que haverá queda no peso da carga tributária atual, ao menos no curto prazo não é possível viabilizar o Estado com menos recursos, mas os primeiros passos para a reforma tributária, que talvez não seja a ideal, mas a sim a possível, terá que caminhar.

Do lado das despesas podemos espernear, confrontar conceitos de seguridade social com o de previdência social, mas a reforma da previdência terá que avançar. Se nada for realizado as contas não fecharão. Além destas importantes reformas o outro grande desafio é tornar o setor público mais leve, com investimentos em tecnologia e produtividade. Seu tamanho tem que cair. Enfim, o déficit nas contas públicas não será eliminado, mas a sinalização que ele será reduzido já é bom primeiro passo.

Outro fator que é fundamental na sustentação do crescimento é o equacionamento dos gargalos na infraestrutura. Um exemplo de gargalo é a questão energética. Se o crescimento econômico vigoroso voltar faltará energia para movimentar a máquina da economia. Isso sem falar na matriz de transporte, entre outros.
O choque de realidade passa ainda pelo rígido controle inflacionário, pela geração de emprego e distribuição justa de renda. Se o governo Bolsonaro perder isso de vista, esperança de dias melhores se tornarão frustração, indicando a definitiva derrocada pelo sistema econômico brasileiro.

Não seria necessário, mas é fundamental lembrar que modelos econômicos frágeis levou o Brasil a dois anos de recessão, desemprego recorde e pressão inflacionária. Este período de estagflação criou um dos maiores passivos sociais, jogando à margem da sociedade milhões de brasileiros.

Neste choque de realidade não há espaço para tentativa e erro e quanto mais consistente for o modelo econômico, mais rapidamente os frutos serão colhidos. A realidade chegou que haja sabedoria para mudá-la, para melhor!

Marcado como

Comentários

Escreva um Comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios*



Current track
Title
Artist

Background