Cobra que não anda, não engole sapo

Escrito por em 22 de março de 2018

Mesmo com a queda da taxa básica de juros, a taxa Selic, o que se observa é que demorará um tempo para que o tomador de recursos sinta no bolso o reflexo desta queda. Para quem aplica dinheiro no mercado o efeito é imediato, diferentemente do que ocorre com quem precisa de empréstimos para honrar seus compromissos financeiros.

Basta realizar rápida pesquisa no site do Banco Central que logo descobrirá que há taxas para todos os bolsos. Sem dúvida alguma as modalidades do rotativo do cartão de crédito e do cheque especial são as mais salgadas do mercado. Estas modalidades praticam taxas médias na casa dos 10% a 14% ao mês. Há até bancos que praticam taxas menores, mas normalmente é para quem não precisa destes recursos, ou seja, taxas baixas para quem oferece grande reciprocidade às instituições financeiras, o que não é a realidade da maioria dos brasileiros.

Enquanto os juros não caem e o próprio Banco Central divulga e aceita as absurdas taxas atualmente praticadas pelas diversas instituições financeiras, caberá ao cidadão sair da zona de conforto e pesquisar outras modalidades mais “baratas”.

Toda vez que a opção de empréstimo envolver uma garantia adicional à tendência é que o custo caia. Isso representa menor risco ao intermediário financeiro à medida que, se houver inadimplência, a garantia adicional cobre parte ou totalmente o prejuízo.

Tanto o financiamento de veículos, como o crédito consignado e ainda o penhor de joias se enquadram neste critério. O primeiro oferece o próprio veículo em garantia, já o crédito consignado tem o desconto automático em folha de pagamento e o penhor tem as joias em garantia.

Estamos falando de juros que variam no mercado entre 1,2% e 4,13% ao mês, sendo mais frequentes taxas entre 2,1% e 3,0% ao mês. Podem ser ainda consideradas caras, mas como colocado, são mais baratas que as modalidades praticadas pelo cidadão que se mantém na zona de conforto, isto é, o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito.
No caso do penhor de joias, com taxas médias na casa dos 2,1% ao mês, a vantagem é que o empréstimo é conseguido mesmo com restrições ao crédito, ou seja, mesmo que a pessoa tenha o nome “sujo” na praça. Somente a Caixa Federal oferece este tipo de modalidade.

Infelizmente os juros na ponta no Brasil são indecentes. Captar recursos a taxas de abaixo dos 7% ao ano e emprestar estes mesmos recursos com taxas que variam 40% e até 290% ao ano não pode ser considerado normal.
Como colocado, enquanto esta prática não é revista, caberá a cada um ficar atento as alternativas oferecidas no mercado. Faça a você mesmo as seguintes perguntas: qual o sacrifício que faço para conseguir meu salário, minha renda? E responda a outra questão: estou disposto a pagar juros de 10% a 14% ao mês, quando minha renda, quando muito, é reajustada em 3% ao ano? Evidentemente que para o grosso da população o sacrifício para conseguir uma limitada renda é muito elevado e é claro que ninguém quer e precisa pagar juros ao mês que equivalem a mais de três anos de reajuste desta mesma renda.

Quer reduzir o custo financeiro de seus empréstimos? Respondo adaptando a frase “cobra que não anda não engole sapo” dizendo: “devedor que não sai da zona de conforto, paga juros mais elevado”.

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