Como era esperado, renda dos idosos despenca

Escrito por em 01/04/2021

Não seria necessário ser especialista em economia e finanças para projetar o estrago que a pandemia faria com a camada mais pobre da população em especial aos idosos.

Políticos que tentaram surfar como heróis no combate a pandemia erraram feio em suas estratégias, e sem um ordenamento de ações que evitassem que atingíssemos o caos na saúde, realidade da maior parte dos estados brasileiros, em especial o estado de São Paulo que não para de bater recorde de casos e mortes (e de falta de leitos), juntamente com um Ministério da Saúde omisso, a miséria chegou.

Façamos um recorte nos idosos brasileiros. Estudo divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta que durante a pandemia de covid-19, houve diminuição de renda em quase metade dos domicílios de idosos, principalmente nos mais pobres. Além do aspecto financeiro, a pesquisa ainda aponta o aumento de sentimentos relacionados à solidão e tristeza, sobretudo entre as mulheres. A coleta de dados foi eletrônica, cujo questionário foi preenchido por 9.173 pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, entre abril e maio de 2020.

Os resultados chamam a atenção. A pesquisa mostrou que 50,5% dos idosos trabalhavam antes da pandemia, dos quais 42,1% sem vínculo empregatício. No período considerado pela pesquisa foi registrada queda na renda em 47,1% dos domicílios, e o que é mais grave, 23,6% relataram forte redução e até mesmo ausência de renda.

No recorde daqueles que trabalhavam sem carteira assinada, a queda na renda ocorreu em 79,8% dos lares e a ausência de renda atingiu 53,3%. Aqui chama a atenção que somente 12% dos pesquisado apontaram que receberam algum auxílio governamental.

É importante destacar que muitos idosos sustentam sozinhos suas famílias, por vezes, abrigam em suas casas seus netos, portanto, reduzir a renda de um idoso é atingir outros membros da família.

Se não bastasse a questão econômica, a pesquisa aponta que dos 87,8% do total que seguiram um isolamento social de maneira intensa, tiveram aumento na sensação de tristeza ou depressão.

Sem dúvida a pandemia atingiu muito forte todos nós, mas também não há dúvidas que as famílias mais carentes estão sofrendo muito mais. Por este prisma, conclui-se que as Autoridades Públicas pouco ou quase nada entenderam do comportamento da população e insistem em politizar suas decisões, deixando de atacar as causas dos problemas. Depois de um ano de pandemia continuam tomando decisões erradas. Todos perdem.

Está evidenciado que é um equívoco do político que insiste em usar o tamanho de sua régua para definir isolamentos, distanciamentos e até lockdowns e ainda por cima não ter nenhuma empatia com os mais pobres, que precisam de assistência na saúde, mas não podem ter sua renda precarizada.

Enquanto alguns praticam o isolamento “gourmet” o grosso da população caminha a passos largos para a miséria, e o que é pior, tristes e deprimidos. Uma história triste de um Estado que deveria ser referência para o resto do País, mas é o recordista em cometer erros na condução da pandemia. Os resultados desta má condução estão nas estatísticas de casos e mortes, só não vê quem não quer.


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