Crise de confiança

Por on 7 de setembro de 2018

Entre os vários conceitos da palavra confiança o que mais se aproxima do que ocorre na economia brasileira é o seguinte: “crença de que algo não falhará, de que é bem-feito ou forte o suficiente para cumprir sua função”.

Os agentes econômicos querem entender como os postulantes ao cargo máximo, de Presidente da República do Brasil, pensam o País para os próximos anos, em particular, qual será o modelo econômico a ser adotado e mais que isso, quais são suas estratégias para equacionar os desequilíbrios da economia brasileira.

Este entendimento passa por projetar como atingir as metas, que são os grandes pilaremos da macroeconomia: crescimento econômico, geração de emprego, inflação baixa e distribuição justa de renda.

Com crise de confiança, ou seja, não tendo a crença de que algo será bem-feito, que será forte o suficiente para cumprir sua função, o nervosismo se instala, a volatilidade passa a ser tônica e os desequilíbrios econômicos se potencializam.

Voltando as metas macroeconômicas. A atuação firme do Banco Central brasileiro tem garantido que a inflação fique comportada. O Brasil observou um momento de tensão, de taxa fora da curva, em função da incontrolável consequência da greve dos caminhoneiros, mas as coisas voltaram ao normal. A inflação não preocupa, mesmo porque com estoques excedentes não há motivos, mesmo com dólar acima do razoável, para disparada dos preços médios da economia.

Se a inflação está domada, o desafio é a retomada do crescimento econômico, isso sim, capaz de criar pré-condições para geração de emprego e em seguida praticarmos justa distribuição de renda.

Está evidenciado que a prioridade é criar condições para o Brasil volte a crescer, mas não na prática do voo da galinha, ou seja, cresce e cai, mas que cresça sustentadamente.

No olhar da matriz que permitiria a retomada do crescimento, o consumo das famílias é que tem maior peso. Representa mais de 60% do Produto Interno Bruto. Mas estas famílias estão endividadas, desempregadas, subempregadas, enfim, desalentadas. Dependem de renda e crédito. A renda está curta e o crédito ainda caro. Mas é preciso que ocorram estímulos para que voltem a consumir. De novo vem à questão da confiança para que os que não foram atingidos pela crise, possam compensar no curto prazo àqueles que até gostariam de consumir, mas não conseguem espaço em seus orçamentos familiares.

Se há uma variável capaz de alavancar definitivamente o crescimento econômico esta variável é investimento. Aqui há alguns pilares importantes: excedentes financeiros, linhas de crédito de longo prazo e confiança. Nos últimos anos foram gerados poucos excedentes financeiros, à medida que as empresas operaram em seu limite. O endividamento veio. As linhas de crédito de longo prazo ainda são escassas, mas seria possível contornar parte destas limitações com a retomada da confiança. Isso passa inclusive pela segurança jurídica, de que os contratos seriam cumpridos. Os investimentos representam os pífios 16% do Produto interno Bruto. Um dos grandes fatores que ajudariam nesta questão seria vislumbrar como seria equacionado o déficit nas contas públicas e com isso se observar a queda na relação dívida pública com o PIB. Controlar os gastos públicos sem aumento da carga tributária é o grande desafio.

Observem que a retomada da confiança dos empreendedores ampliaria os investimentos, que gerariam empregos, que aumentariam a confiança dos consumidores, que potencializariam o crescimento da economia. Estamos falando de uma combinação, consumo e investimentos, que representam juntos quase 80% do PIB. Com isso ficaria mais fácil garantir os gastos do governo e no vácuo poderíamos aumentar a participação brasileira no comércio exterior.

Se esta é uma das lógicas para a roda da economia girar, então o que pega? A superficialidade dos modelos econômicos que estão sendo apresentados pelos que estão à frente nas pesquisas eleitorais. Para conseguirem a simpatia da população traçam um cenário como se tudo fosse resolvido facilmente, o que sabemos não ser verdade.

Teremos ainda muitas oscilações pela frente, que serão ainda potencializadas pelas crises vindas de fora, mas é fundamental que sejamos sujeitos de nossa história: discursos populistas não eliminarão a crise de confiança, na prática, influenciarão no sentido contrário. Vale a reflexão.


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