Crise hídrica em Bauru: esforço multidisciplinar

Escrito por em 14/10/2020

A população bauruense sofre com a crise hídrica, devido a estiagem prolongada, afetando diretamente o nível da água do Rio Batalha que fornece água para 38% da população, atingindo diretamente cerca de 140 mil bauruenses.

Do nível ideal de água, que seria de 3,20 metros, o Rio Batalha está com nível abaixo de 1,40 metro. Isso limita a captação de água, e evidentemente que fornecimento passa a ser precário.

Mesmo tendo em mãos o Plano Diretor de água, cuja elaboração custou aos cofres do DAE de Bauru R$ 1,3 milhão e foi realizado há 6 anos, em 2014, pouco avançamos. O Plano apontava investimentos na ordem de R$ 256 milhões para cumprir todo processo de captação, reserva e distribuição de água. O que mais chamou a atenção quando o plano foi apresentado é que a cidade desperdiçava 48,7% da água que tratava. Evidentemente que o investimento estimado
não seria realizado no curto prazo, mas, insisto, passados 6 anos não fizemos a lição de casa na magnitude necessária. O desperdício continua e a reservação não avançou. Mais recentemente, o ano passado, o DAE conseguiu autorização da Câmara Municipal para destinar R$ 12 milhões do Fundo de Tratamento de Esgoto, visando realizar uma série de investimentos, e passado mais de um ano, a constatação é que pouco ou quase nada foi efetivamente entregue.

O DAE possui geração de caixa constante, algo muito desejado pelos investidores. Também tem em suas mãos o poder de desligar o fornecimento de água quando há inadimplência. É certo que pratica tarifas sociais, mas pode ser considerado a bola de prata da gestão pública municipal. Em resumo: recursos financeiros não faltam, tampouco faltam recursos humanos, ao menos em termos de quantidade.

Esta Autarquia sofreu sim com a decisões políticas com elevada rotatividade em seu comando.
De 2017 para cá, portanto, em 3 anos, foram três Presidentes, mesmo um deles sendo interino. Também pode ser considerada um abrigo para servidores comissionados, os quais, nem sempre possuem experiência técnica suficiente para oferecer a Autarquia e por consequência à população uma prestação de serviços de qualidade.

O diagnóstico é este: o DAE precisaria ser reinventado e não foi, e vejam que ainda há uma série de dúvidas quanto a sua real capacidade em coordenar o término da Estação de Tratamento de Esgoto, e mais ainda, capacidade em gerenciar a mesma após seu término.

Por tudo isso, projetando o médio e longo prazo, com as discussões dos candidatos a Prefeito, possivelmente teremos um novo horizonte que aponte o melhor caminho, tanto na eventual reestruturação como até a discussão de um eventual modelo de privatização.

E no curto prazo? Não há como equacionar a falta d´água. Precisa sim remediar. Por isso, é imperativo a formação de um Grupo de Gerenciamento de Crise. De ser multidisciplinar, envolvendo técnicos do DAE, representantes do Legislativo Municipal, representantes da sociedade civil organizada ligadas ao setor e ainda convocar Secretarias Municipais que possam auxiliar na tarefa de encontrar meios atender a demanda por caminhões pipa, inclusive ampliando o atendimento emergencial do DAE, e conscientizar parte da população.

Neste prisma a SEBES tem papel importante, pois acessa a população mais carente e pode mapear as demandas. Outra secretaria que pode exercer papel importante é a da Educação, afinal, com o ensino remoto, há contatos diários com as famílias dos alunos e estimular o não desperdício e entender as demandas localizadas, permitirão ações certeiras. Isso sem contar a já anunciada iniciativa de utilizar os reservatórios das escolas para abastecer residências sem água. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico tem interface com empresários e entidades
empresariais que podem canalizar esforços visando agilizar processos, evitar superfaturamento e desenhar a logística necessária para o enfretamento da crise.

A velha frase vale nesta hora: se não tem remédio, remediado está. Agora é hora de admitir a dimensão do problema e buscar soluções que reduzam o impacto da falta de água nos cidadãos bauruenses. É hora de verificar quem efetivamente tem capacidade para liderar este processo.


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