Economia: o passado que condena

Por on 21 de setembro de 2018

A gestão econômica de um País não permite aventuras. Conduzir a política econômica com modelos firmes, consistentes, adequados, garante inclusão social e elimina distorções de renda na sociedade. Em última instância estamos falando de qualidade de vida.

O Brasil traz consigo um passado na economia que o condena. Façamos uma breve análise deste passado. Vamos fazer um corte a partir da década de 1980. A tônica principal era o combate à inflação. Planos como o Cruzado, Bresser e Verão não atacaram todos os problemas do desequilíbrio econômico levando o Brasil a conviver com a hiperinflação. Políticas fiscal, monetária e cambial conduzidas de maneira inadequada levaram a taxas inflacionárias acima de 80% ao mês.

Já na década de 1990 novamente erramos a mão na politica monetária, quando o Plano Collor realizou o confisco do dinheiro das famílias, e colocou o País em grave recessão. Triste lembrança deste período.

O Plano Real foi capaz de equacionar a inflação, e inicialmente reconheceu os erros na política fiscal. Eliminou a indexação da economia, com ela o fim da inflação inercial, introduzindo o Fundo Social de Emergência, com isso gerando excedentes primários e com a Lei de Responsabilidade Fiscal acabou com parte da gastança do setor público. Também foi firme na condução da politica monetária.

Mas o Plano Real previa as reformas estruturais, que não foram executadas em plenitude. Além de não atacar os gargalos da economia, não trabalhamos adequadamente a política cambial, e neste período fomos presas fáceis quando as crises internacionais se acentuaram, notadamente as crises mexicana, russa e argentina. O choque especulativo do Real foi inevitável e, mesmo com o grande trunfo de ter derrubado a inflação, as fragilidades da economia ficaram evidentes.

Mesmo com esta constatação o caminho para sustentar o crescimento econômico estava aberto. A economia precisava de ajustes, de reformas que garantiriam o equacionamento da politica fiscal, afinal, já tínhamos trilhado um caminho moderno na condução da politica econômica, ou seja, a boa combinação de metas de inflação, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal.

Os anos de bons indicadores econômicos, no governo Lula, só foram possíveis devido ao chamado céu de brigadeiro no contexto econômico internacional. A China crescia em dois dígitos, que garantiu fortes vendas de commodities, e o mundo não teve graves problemas estruturais. A política econômica à época se valeu da forte valorização do Real frente ao Dólar, segurando a inflação interna, levando a população, via crédito fácil, ao consumo, garantindo expansão econômica e geração de emprego. Com isso as receitas orçamentárias cresceram.

Acontece que também ocorreu expansão dos gastos públicos acima da inflação. A leitura era que uma nova matriz econômica deveria ser implementada, com correções necessárias na política fiscal, monetária e cambial. Isso não foi feito. O fortalecimento do dólar frente ao real escancarou a fragilidade do modelo econômico brasileiro.

Continuaram apostando no crescimento econômico baseado no consumo das famílias, estas já extremamente endividadas. O governo Dilma, apadrinhada por Lula, recebeu o País com necessidade de ajustes, mas com receio de colocar em xeque o discurso da ascensão social, simplesmente ignorou a crise internacional de 2008 e 2009, e manteve a frágil condução econômica, com gastos públicos, desonerações fiscais e crédito barato. Ganhou a eleição por duas vezes, mas os problemas estruturais ficaram embaixo do tapete.

Deu no que deu: dois anos de recessão, cassação do mandato de Dilma e desarranjos econômicos acentuados. A tão elogiada ascensão social dos menos favorecidos virou o desemprego condenado por todos. O País observou o que de mais perverso pode existir em uma economia: estagflação, ou seja, recessão, com preços pressionados e elevado desemprego.

Nestes dois últimos anos as coisas começaram a se ajustar, a inflação foi contida, mas os problemas estruturais não formam atacados e sem dúvida alguma o ajuste fiscal terá que ser realizado.

A questão presente é: quem conduzirá o Brasil pelo caminho da sustentação econômica? Não há espaço para aventuras e tampouco de retomar uma matriz econômica (se é que ela existiu em algum momento) que nos levou a estado deplorável em que a economia brasileira se encontra.

Se nosso passado nos condena, a sabedoria indica que não devemos cair nas mesmas armadilhas. Fique de olho do que estão prometendo e tenha visão crítica, é o mínimo a fazer.


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