Eleições: a disputa pelos poderes

Escrito por em 27/11/2020

Analisar o processo eleitoral nas eleições municipais não é tarefa das mais fáceis. E acredito que nem mesmo os mais preparados sociólogos e cientistas políticos poderiam cravar sentenças imutáveis em suas conclusões. Certo é que, dentro desse processo existem várias disputas de poder. A começar pelos partidos quando estes se organizam para nos apresentar seus escolhidos. A vontade e os interesses de grupos específicos, normalmente representados pelos chamados “caciques” já podem ser percebidos no nascedouro das candidaturas. Para além do nicho político, é preciso observar também a movimentação do poder econômico, algo que pode estar visível nas bases que criaram as condições para que os ungidos à disputa tivessem essa oportunidade. Nem sempre isso significa que o candidato ou candidata tenha como bancar sua própria disputa, na maioria dos casos o que se tem é uma liderança que desponta com potencial de votos. É nesse momento que os poderes político e econômico se dão as mãos. Cada um, é claro, interessado em sua própria subsistência. Mas o que acontece quando essa bolha de manutenção do status quo é furada pelos chamados “outsiders”? Na prática, o que ocorre é que os outsiders, normalmente o são apenas no discurso. Quando observados em seu entorno e processo de criação, estes, invariavelmente representam o mesmo pacote político, embrulhado de maneira diferente. Para finalizar e não fugir a responsabilidade é preciso delinear também o papel da mídia nesse processo. Muitas vezes mais preocupada em interferir no processo do que em aprofundar as questões que deveriam permear o debate eleitoral ou na busca de um protagonismo danoso que ao final serve apenas para seu próprio deleite. Mais uma vez é preciso apontar a vida dura do eleitor. Que depois de todo esse processo de refinamento ainda tem que ouvir que vota mal ou não sabe votar. Alvo de um bombardeio constante de dados e informações, precisa ter a tranquilidade para filtrar tudo isso e na maioria das vezes recebe o pacote pronto apenas para se definir por este ou aquele. Que apesar de todos os vícios e dificuldades do processo eleitoral, possamos cumprir com nosso dever do voto, respeitando a decisão das urnas, princípio básico da democracia. Oremos.


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