Feliz ano novo: só se for para o Congresso Nacional!

Por on 7 de março de 2019

Todo ano após o carnaval vem esta coisa de desejar um feliz ano novo. O paradigma a ser questionado é que as coisas aqui no Brasil funcionam somente depois do carnaval.

Esta questão está relacionada ao fato de as férias escolares serem em janeiro e, normalmente, em fevereiro vem o carnaval. Muitos executivos aproveitam este período de férias e adiam as principais decisões para depois que voltarem das férias, no caso, assim que acaba o carnaval.

A quebra de paradigma vem de várias frentes. A primeira delas é que o carnaval deste ano caiu em março, portanto, deixar as coisas acontecerem depois de carnaval é muito tempo. A outra questão que coloca em xeque esta avaliação é o fato de o Brasil estar patinando na economia. Muita coisa precisava ser feita e muitas decisões não poderiam ser adiadas. Soma-se a isso a chegada de um novo governo, renovando, pelo menos até agora, a esperança de dias melhores.

Em resumo: quem opera o dia a dia das empresas, dos negócios, não pode se dar ao luxo de esperar o mês de março para começar a atuar no mercado.

Por outro lado é possível que para o Congresso Nacional brasileiro o início do ano novo seja agora. Tivemos um mês com Congressistas da outra gestão. Os atuais deputados e senadores assumiram efetivamente seus postos em primeiro de fevereiro. Eleições internas, formação das comissões, discursos e mais discursos, enfim, com baixa produtividade inicial para estes, o ano para valer vem agora.

Se esta premissa estiver certa, já começamos um ano com um divórcio entre os agentes econômicos e a classe política. Enquanto o setor privado já experimenta os desafios da economia, convivendo com as expectativas de dias melhores, temos uma classe política negociando apoios e vendo as coisas andarem, lentamente.

Mesmo com erros básicos e estratégicos, o governo Bolsonaro colocou na mesa parte de suas intenções. Partindo do correto diagnóstico que se não equilibrar as contas públicas este País não terá futuro econômico, ou seja, não introduzirá um modelo econômico sustentável, a principal reforma, a da previdência está no Congresso.

Enquanto alguns Congressistas criticam a reforma, outros esperam para ver com será a “negociação” para aprovar ao menos parte do que foi proposto, os agentes econômicos do setor privado enfrentam o mercado. Estes, como colocado, não podem mais se dar ao luxo de esperar o ano começar após carnaval.

Precisam administrar a verdadeira ressaca que foram os últimos anos de baixo crescimento econômico, com queda nas vendas, diminuição do tamanho das empresas, crescimento do endividamento financeiro e redução do quadro funcional. Como esperar março chegar?

O divórcio da forma de encarar os graves problemas do Brasil vem deste distanciamento do mundo real do mundo da política.

O setor privado e o setor público não operam no mesmo diapasão. No setor privado o veloz ultrapassa o mais lento, no setor público, as coisas são lentas, quase parando.

Enquanto não tivermos indicadores de produtividade para o setor público, em todas as esferas, sempre teremos leituras distintas para o momento do País: enquanto o setor privado, os trabalhadores, o população em geral, já atua a todo vapor destes os primeiros dias do ano, os políticos a classe pública dominante começam agora a analisar as graves questões do País.

Sabe o que é pior? É constatar que na maioria das vezes, a atuação dos políticos, está ligada aos interesses corporativos em detrimento do interesse coletivo.

Completamos mais de 60 dias do ano de 2019 e a constatação é que para uma minoria o ano somente irá começar agora. Há um verdadeiro abismo entre os políticos e o setor privado.

Feliz ano novo? Só se for para o Congresso Nacional, pois no mundo real o ano começou faz tempo.


Comentários

Escreva um Comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios*



Current track
Title
Artist

Background