Há 20 anos, Madonna encarnava cowgirl para o lançamento de “Music”

Escrito por em 14/08/2020

Em agosto de 1998, Madonna e Marília Gabriela estiveram cara a cara pra uma breve entrevista. Durante a conversa, que é considerada hoje uma das maiores pérolas da TV nos anos 1990, Gabi pergunta se a cantora tinha algum preconceito. Prontamente, ela responde, seca:”Botas de cowboy”.

Exatos dois anos depois, Madonna convocaria o cineasta francês Jean-Baptiste Mondino pra dirigir o clipe de “Don’t Tell Me”. Caminhando sob uma esteira, a cantora se posiciona à frente de um chroma key enquanto canta suavemente. O figurino: camisa xadrez, um par de calças jeans e botas de couro.

De fato, o visual foi adotado por várias outras gerações. Miley Cyrus, Lady Gaga, Kylie Minogue… todas elas tiveram sua fase clean, adotando um guarda-roupa sonoro e visual pautado na vida simples do campo. Mas a incursão de Madonna por esse nicho, no início do milênio, tampouco foi original. Antes dela, outros ícones como Dolly Parton já haviam ajudado a popularizar o estilo nos anos 1970, fazendo inclusive experimentos com a pop music e originando sucessos radiofônicos.

Caindo em contradição ou não (ela afirma que “nunca diz nunca”), Madonna mergulhou de vez a figura de cowgirl na estética do disco “Music”, lançado em setembro de 2000. Há 20 anos, em 18 de setembro de 2000, o projeto chegava ao mundo como fruto de um vazamento. Ainda nos primórdios da internet, a rainha surpreenderia entregando mais experimentos eletrônicos.

Embora a estética asiática e a aura etérea de “Ray of Light” (1998) já não fossem mais o foco, a voz e a música underground ainda eram um ponto que Madonna gostaria de seguir abordando na própria obra. Mas não com o parceiro William Orbit, que após a vitória de quatro prêmios Grammy havia se rendido ao mainstream.

Além do violão, que aprenderia a tocar em estúdio com a ajuda do músico Monte Pitmann, que a acompanha ainda hoje, a artista firmaria uma parceria importante com o produtor francês Mirways Ahmadzai (“American Life”, “Confessions on a Dancefloor”, “Madame X”).

Quem fez a ponte entre os dois foi o fotógrafo e ex-namorado de Kylie Minogue, Stéphane Sednaoui. Logo de cara Mirways chamou a atenção da cantora pelos ritmos pulverizados que criava para suas faixas, bem como pela forma com que trabalhava com o chamado acid bass.

Na biografia “Like an Icon” (2008), a jornalista e autora Lucy O’Brien resgata uma entrevista da rainha à Billboard em que ela afirma: “Eu realmente acredito que ele é um gênio. Escuto o que ele cria e sei que esse é o som do futuro”. Os toques de Mirways veriam-se bastante expressivos em faixas como “Nobody’s Perfect” e “Impressive Instant”, que fazem uso exagerado de efeitos vocais como o vocoder. Para o

The Observer, em 2005, Madonna também destacou a sensibilidade do colega – aspecto que deve ser levado em consideração ao observar a densidade das composições assinadas por ambos.

“Ele [Mirways] é muito intelectual, muito analítico, muito cérebro, muito existencial, muito filosófico. Você tem que estar afim disso. Eu não queria pensar e repensar as coisas demais. Eu não quero ser complicada agora.”

Fonte: Papel Pop


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