Há espaço para nova redução na taxa de juros

Escrito por em 29 de março de 2018

As projeções apontavam que para este ano a taxa básica de juros viraria o ano em 6,5% ao ano. Este patamar foi atingido agora e todos os operadores do mercado passaram a se perguntar se haveria espaço para nova redução no curto espaço de tempo.

A nota do Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central quando anunciou a queda de 6,75% para 6,5% ao ano indicou que seria sim possível projetar nova queda ainda este ano. A ata do COPOM, que é divulgada 5 dias depois da reunião do Comitê, confirmou esta expectativa.

Há motivos técnicos que garantem este espaço para queda. Um primeiro e fundamental indicador é a taxa de inflação. Em fevereiro deste ano o índice ficou em 0,38% atingindo 2,86% em 12 meses. Com isso é possível projetar inflação para o ano fechado abaixo de 3%, portanto, não há motivos para praticar juros elevados.

Outro motivo e não menos importante, refere-se à necessidade da retomada firme do crescimento econômico. Considerando que o crescimento pelo lado da demanda não virá pelo setor público e tampouco pelos investimentos, a economia brasileira observará crescimento vindo pelas exportações e principalmente do consumo das famílias.

O incremento do consumo das famílias depende de dois importantes fatores: renda e crédito. No tocante a renda o mercado de trabalho, mesmo ainda debilitado, parou de piorar. Setorialmente há melhora nas contratações, além de não observarmos crescimento nas demissões. A queda dos juros básicos em curso serve de estímulo à queda no custo do crédito. De um lado agentes com sobras de recursos podem se lançar ao consumo, e de outro lado o consumidor sem recursos pode optar por antecipar compras, buscando o crédito mais barato.

Também observa-se o crescimento da confiança do consumidor. Aqueles que se retraíram, mesmo tendo recursos para consumo, começam a abrir a guarda, movimentando a economia.

É evidente que há um longo caminho a ser trilhado, principalmente no tocante as práticas de juros na ponta. A queda dos juros básicos não é por si só indicativo que as Instituições Financeiras reduzirão consideravelmente seus juros ao tomador de recursos, mas é certo que o mercado gradativamente se ajustará a esta nova realidade de baixa inflação e juros em queda, favorecendo os demandadores de crédito no mercado.

Analisando tudo que o País passou nestes últimos anos, mesmo tendo neste ano copa do mundo e eleições, inclusive entendendo que as causas do desequilíbrio da nossa economia não foram equacionadas, sem dúvida o ambiente econômico daqui para frente será muito melhor do que o que todos nós tivemos que suportar neste período.

O Banco Central brasileiro está conduzindo a política monetária dentro das expectativas, privilegiando questões técnicas, garantindo gerar confiança a todos que operam no mercado brasileiro. Isso é sinônimo de credibilidade e esta é capaz de estimular os agentes econômicos a saírem da defensiva. É possível sim apostar em juros básicos próximos a 6% ao ano.

Desafios existem, mas a boa notícia é que os sinais de recuperação são evidentes e promissores. A má notícia é que precisaremos ter um pouco mais de paciência.

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