Inflação preocupa?

Por on 9 de novembro de 2018

O índice de inflação do mês de outubro ficou em 0,45%. Os alimentos e bebidas puxaram a inflação para cima, enquanto o setor de transporte teve seus preços rebaixados. Foi o maior patamar de inflação para um mês de outubro desde 2.015. No acumulado do ano a inflação é de 3,81% e se consideramos o acumulado dos últimos 12 meses o indicador atingiu 4,56%.

A inflação preocupa? Racionalmente a resposta seria não, contudo, em se tratando de Brasil, é preciso aumentar a vigilância.

O “não” vem do fato de a inflação acumulada estar dentro da meta fixada pelo governo para este ano. Esta meta é de 4,5% ao ano com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, já a “vigilância” vem do nosso histórico, isto é, de nosso passado de inflação elevada. É certo que o Plano Real, inaugurado em 1994, cuidou de derrubar a inflação, mas ainda convivemos com preços indexados, que geram a denominada inflação inercial, portanto, parte da alta de preços do passado é repassada aos preços futuros.

Dentro desta lógica cerca de 40% dos preços dos produtos que compõem o IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo, que é a inflação oficial, são indexados tanto pelo dólar como por reajustes anuais automáticos.

Focar no controle inflacionário é fundamental para as pretensões da equipe econômica no tocante a levar o Brasil a sustentar seu crescimento. O governo de Dilma Rousseff entre outras lambanças, fez com a inflação voltasse a operar na casa dos dois dígitos, e isso gerou desequilíbrios importantes na economia. A equipe econômica de Temer, notadamente a equipe de técnicos do Banco Central, soube utilizar em sua magnitude os instrumentos de política econômica, principalmente a política monetária, trazendo a inflação para dentro da meta perseguida. Não podemos perder esta conquista e será um importante legado a nova equipe econômica, agora do governo Bolsonaro.

Inflação baixa permite planejar, ter previsibilidade quanto aos indicadores futuros, não penaliza a população mais pobre, e cria um pano de fundo para que os juros no Brasil sejam menores.

Felizmente a cotação do dólar já não sofre pressão das incertezas do processo eleitoral brasileiro e se nada de anormal ocorrer na transição, não há nada no horizonte que possa pressionar demasiadamente a inflação, somente a inércia mesmo. Neste particular alguns preços com reajustes anuais automáticos, com é o caso dos aluguéis, é que podem pressionar os índices futuros, mas nada que possa fugir ao controle.

De qualquer maneira a equipe econômica de Temer deve manter-se vigilante e a nova equipe econômica, tem que manter a política de metas de inflação, garantindo inclusive atingir os patamares de redução previstos para os próximos anos, ou seja, 4,25% para o ano que vem e 4% para 2020.

Certa vez ouvi esta frase que resume bem o problema inflacionário brasileiro: não se coloca um ex-alcoolatra em uma sala trancada cheia de bebidas, a tentação para voltar a beber é enorme. Desta maneira, todo cuidado com a inflação é pouco.

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