LIÇÕES DA COPA

Por on 15 de julho de 2018

A Copa do Mundo 2018 terminou e ao seu final deixa um rastro de lições muito importantes para as equipes sul americanas, em especial para o Brasil.

A decepção de Argentina, Brasil, Colômbia, Uruguai, Peru e outras que nem lá chegaram, como Paraguai, Chile, etc, deve provocar uma reflexão amadurecida sobre o futebol que estamos praticando.

Não é por mera coincidência que as seleções européias acabam de ganhar a quarta Copa consecutiva. A última conquista sul americana foi em 2002 com a vitória brasileira. Depois disso tivemos Itália, Espanha, Alemanha e França ou Croácia (ainda não tinha sido decidido ao escrever esta coluna).

Quais as lições que precisamos aproveitar para uma reciclagem do futebol brasileiro, que é o caso que mais nos interessa?

Algo que salta aos olhos é o problema tático. Não queremos criticar especificamente o técnico Tite. Ao contrário, ele era o único mesmo que nesse momento poderia comandar o Brasil na Rússia.

Todavia, mesmo o Tite e muitos treinadores brasileiros precisam estudar e entender mais o futebol, especialmente o futebol moderno que se pratica hoje na elite mundial, protagonizada por clubes e seleções européias.

As partidas que o Brasil jogou na Rússia deixaram muito a desejar nesse aspecto tático. Levamos literalmente um baile tático-teórico para o qual não estávamos preparados.
Velocidade, leveza, marcação, alterações comportamentais de ataque-defesa, revezamentos e preparo físico entre outras tantas inovações do novo futebol que se pratica hoje nas grandes equipes internacionais e nas seleções européias.

O técnico Tite teve vários “apagões” e se perdeu nas alterações, algumas muito demoradas, outras equivocadas. Os erros começaram pela própria convocação. Jogadores foram chamados mais pela proximidade com o treinador do que pela qualidade. Outros estavam contundidos, sem condições de enfrentar o desgaste de uma Copa, que é uma competição de tiro curto e decisivo.

Cada jogo é um desafio. Quase sempre equipes inexpressivas podem surpreender. O jogador brasileiro, quando veste a amarelinha, ele treme por dentro. Seja qual for o atleta. Uns mais, outros menos. Essa força e certa frieza que ajudam os europeus, não são tão comuns nos brasileiros. Tanto quanto o preparo técnico e físico, pesa também o psicológico mal trabalhado.

Vem crescendo uma hegemonia do futebol europeu. Muito dinheiro, logo muitos craques. As transferências de nossos garotos prodígios vão brilhar em outros campos, em outros ambientes e não conseguem produzir na seleção o que produzem nos grandes clubes europeus.

E mais. O processo migratório de vários países vem transformando aquele antigo futebol “perna dura” dos europeus de antigamente. Os Mbeppé, Matuidi, Pogba, Lukako e dezenas de outros craques surgiram desse fenômeno contemporâneo e possuem as habilidades que antes não havia por lá. O mundo do futebol mudou e o Brasil também tem que mudar, se quiser repetir suas memoráveis conquistas nas cinco Copas do Mundo que já conseguiu.

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