Médicos elaboram carta questionando redução do valor dos plantões com nova OS

Escrito por em 26/12/2021

Um grupo de médicos plantonistas divulgou na tarde deste domingo uma carta aberta à população, apontando descontentamento da classe por conta do valor dos plantões que serão pagos pela Omesc (Organização Social de Medicina e Educação de São Carlos), vencedora do chamamento público realizado pela prefeitura e que, a partir do dia 1º de janeiro, assumirá o atendimento nas UPAS Ipiranga e Bela Vista.

Na carta aberta, o grupo formado por 22 médicos que coordena a comissão, critica o valor do plantão ‘28% inferior ao valor atual pago pela Fundação Estatal Regional de Saúde (FERSB), e dos demais hospitais da cidade e das cidades vizinhas de Bauru, gerando descontentamento por nossa classe.’.

No material divulgado à 94, o grupo aponta que não há problemas para fechamento de escalas, com os profissionais já adaptados ao serviço. Segue a carta, apontando que foram ‘pegos de surpresa com essa notícia da queda do salário com a mudança para a administração pela Omesc… que médicos também tem contas, boletos, filhos e necessidades como qualquer outro cidadão e, que para exercer a profissão com qualidade, são realizados cursos de atualização obrigatórios e capacitação de habilidades teórico-práticas com valores altíssimos.’.

Segue a nota apontando que dos 60 médicos, apenas 10 receberam oferta de emprego e, assim, os outros 50 se consideram desempregados, uma vez que não receberam oferta de trabalho.

Na parte final da carta aberta à população, o grupo médico afirma que ‘quem vai pagar essa conta é a população que depende do SUS, a partir do momento que o salário do médico diminui, ele tem que ir em busca de novos empregos para complementar a renda, pois muitos já tem seus compromissos mensais e precisam arcar com eles. Jornadas exaustivas de trabalho também causam cansaço, e é automático: vai gerar queda na qualidade de atendimento oferecido para a população… Por fim, a existência de valores distintos para plantonistas da cidade de Bauru e da região pode voltar a gerar escalas médicas defasadas e UPAS de portas fechadas.’.

Fecha a nota pedindo à população que defenda o SUS, defenda a valorização medica… ‘Vocês pagam impostos, merecem atendimento com qualidade.’.

Procurada, a assessoria de imprensa da Omesc (Organização Social de Medicina e Educação de São Carlos), afirmou estar tendo conhecimento da carta, através da reportagem da 94 e, que esse descontentamento é normal em mudanças de gestão. Apontou ainda, que Jaú e Marília pagam valores inferiores ao praticado pela Omesc, não podendo tomar por base apenas valores cobrados em Bauru, mesmo porque se tratava de uma disputa licitatória de técnica e preço, que ocorreu dentro das normativas da lei com acompanhamento da comissão de saúde da Câmara e demais órgãos interessados. Finaliza apontando que todos os médicos que quiserem participar desse novo momento, serão bem vindos e a Omesc não acredita que o valor oferecido por plantão afligira a dignidade dos profissionais, que continuarão a ser bem remunerados de acordo com a quantidade de plantões de assumam.

Outra informação, obtida pela reportagem, é que o valor para cada plantão atualmente, pago pela FERSB, gira em torno de R$ 1.500,00, enquanto a Omesc preve pagamento entre R$ 1.300,00 e R$ 1.400,00.


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