O desempenho industrial: uma boa e uma má notícia

Escrito por em 9 de abril de 2018

Tenho uma boa e uma má notícia em relação ao desempenho industrial brasileiro: a boa notícia é que o mês de fevereiro apontou crescimento e a má notícia é que o ritmo está lento.

Na prática o crescimento de 0,2% na produção industrial brasileira em fevereiro (comparado com janeiro deste ano) veio abaixo do esperado, contudo, mesmo acreditando em crescimento de 2,7% do PIB para este ano a leitura é que ele será gradativo e não uniforme o que é confirmado pela pesquisa do IBGE.

Mesmo patinando a indústria brasileira cresceu 2,8% se compararmos fevereiro deste ano com o mesmo período do ano passado. Mais ainda: no acumulado nos últimos doze meses avançou 3%, melhor resultado desde junho de 2011 (3,6%).
É evidente que o resultado de agora não repõe a perda de 2,2% ocorrida em janeiro último, mas a alta em si pode ser considerada um bom indicativo. A categoria de bens duráveis deu o tom do crescimento.

E na vida prática? Quem opera no mercado é conhecedor que as expectativas de dias melhores no tocante as vendas e recuperação da margem de lucro são muito superiores às respostas que o mercado vem dando. Isso é fácil de entender, afinal foram dois anos de forte recessão, o que, para sobreviver, as empresas fizeram tripas coração. Enxugaram os custos que podiam. Revisaram a estrutura funcional. Muitas se endividaram e o que resultou em organizações mais debilitadas e ansiosas para recuperar o tempo perdido.

O que dizer para estes empreendedores? Mais paciência. A economia tem sua própria dinâmica e depende do comportamento dos agentes econômicos.

O que nos anima é saber que a inflação está controlada. Também é animadora a queda na taxa de juros, mesmo que ainda tenha chegado para valer na ponta. Nos anima também a retomada da confiança tanto do empresário como do consumidor. Isso cria um ambiente favorável e o pessimismo já não faz parte dos encontros empresariais.

Apesar disso há pontos que ainda nos deixam inseguros, como por exemplo, o adiamento do ajuste do setor público, ainda a copa do mundo e seu eventual desvio de foco e sem dúvida alguma as eleições presidenciais. As eleições por sinal nos remetem a refletir se teremos um novo Presidente com a devida competência para dar continuidade ao modelo econômico austero, que equilibre as contas públicas, que sustente o crescimento de longo prazo.

De qualquer maneira é possível apontar o crescimento da economia continuará ocorrendo. Alguns meses o crescimento oscilará para baixo, outros para cima, mas o resultado para este ano será positivo e é possível sim acreditar nos 2,7% do crescimento do PIB projetado. O que coloca uma interrogação é: o que nos espera para 2019.

A leitura das necessidades para sustentar o crescimento econômico é de conhecimento de todos. Resta saber se o populismo não irá prevalecer em relação ao modelo estruturante.

Mas não vamos atropelar as coisas e deixemos o tempo nos apontar os caminhos. Entre a boa e má notícia do desempenho do setor industrial, mantendo o meu otimismo realista, fico com a boa noticia, o que nos motiva a acreditar que o pior ficou para trás. Vamos trabalhar, como sempre!

Tagged as


94FM ao vivo

Essa Rádio Pega

Current track
TITLE
ARTIST

Background