9º Festival de Artes Cênicas de Bauru terá 19 apresentações gratuitas transmitidas pela internet

Escrito por em 26/10/2020

Esse ano, pela primeira vez na história do Festival de Artes Cênicas de Bauru, o público poderá assistir de casa, com transmissões pelo YouTube de 1º a 15 de novembro. No site do evento, quem tiver interesse pode se cadastrar para receber um aviso pelo WhatsApp meia hora antes das apresentações – que não ficarão disponíveis após o fim da
programação.

Para quem sente falta da sensação de ir ao teatro, a organização do evento se prepara para receber uma quantidade limitada de espectadores em algumas apresentações. Essa oportunidade só será confirmada na semana do evento, e depende do estado da pandemia no município.

“A presença do público é importante para a fruição dos espetáculos de artes cênicas. Tanto o público quanto os artistas sentem falta das apresentações presenciais e queremos muito recebê-los, mas temos a saúde dos artistas, profissionais e do público como prioridade, e estamos respeitando as indicações de protocolo de segurança”, assegura Andressa Francelino, diretora geral do FACE. Andressa reforça que a programação completa será transmitida pelo YouTube, independente da
presença do público.

Grupos nacionais e internacionais

Grupos de seis estados brasileiros compõem esta edição: Ceará, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e São Paulo, além de duas atrações internacionais, de Portugal e da Noruega. A partir do tema do festival, Lugar Manifesto, a curadoria do diretor artístico Fábio Valério busca propor reflexões acerca das múltiplas crises que atravessam a atualidade.

“Os artistas e grupos que compõem a programação formam um conjunto de diferentes visões que se complementam, contrastam e ampliam horizontes, fazendo do festival um espaço de crítica e de catarse”, comenta Fábio.

Abre a programação de espetáculos do festival, o Cabaret Scènesonore – espetáculo de variedades inspirado nos antigos cabarés europeus, produzido pelo grupo Protótipo Tópico. No Cabaret, artistas da cidade de Bauru apresentam cenas de teatro, dança, performance, música, artes visuais, leitura de poesias, textos e crônicas.

Desmontagem

Duas apresentações se destacam na programação com propostas que fogem ao modelo tradicional. Tânia Farias, do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz, traz para o festival a Desmontagem Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência, visando provocar uma reflexão sobre o fazer e a pesquisa teatral, suas implicações e atravessamentos com a vida da artista.

Tânia Farias revela a artista por trás da obra e, com ela, o tecido político e social que a envolve. A desmontagem, conceito recente difundido pela atriz, refaz o caminho da criação de personagens emblemáticos da dramaturgia contemporânea, constituindo um olhar sobre as discussões de gênero, e abordando a violência contra a mulher. Destacamos ainda o espetáculo binaural interativo Nuvem, do Agrupamento Núcleo 2, de São José do Rio Preto. O público deve se inscrever no formulário no site do evento para participar. O espetáculo totalmente interativo começa com uma mensagem que o espectador recebe pelo aplicativo WhatsApp, a partir dela o próprio público escolhe que caminho seguir na narrativa.

Dirigida por Jef Telles, que é também o protagonista da história, Núvem é construída como uma autoficção, uma narrativa que mistura informações reais com ficção. O trabalho alia performance, videoinstalação e o mecanismo binaural – um som em três dimensões que reproduz o ouvido humano, transmitido no espetáculo por fones de ouvido.

Performing Project: mostra audiovisual

Nesta edição, o FACE incorpora a mostra audiovisual Performing Project, uma iniciativa experimental de videoperformances publicadas no Instagram, que partiu da sensação de incerteza causada pela pandemia de Covid-19 e o distanciamento social. O projeto foi idealizado em abril deste ano por Andressa Francelino, diretora geral do FACE, e tomou forma com a incorporação dos trabalhos de diversos artistas.

“É sobre descobrir possibilidades artísticas e imagens poéticas dentro da nossa própria casa. É sobre não temer as nossas fragilidades mentais-emocionais-tecnológicas e compartilhar nossas inquietações através de performances virtuais assumindo este tempo de incertezas”, pontua Andressa.

No FACE, a mostra terá exibição de obras produzidas por 11 artistas durante o festival a partir da proposta “Lugar Manifesto: O que te sobra de poesia e manifesto nas esquinas da cidade?”. Após a exibição será realizado um debate com profissionais das artes cênicas e do cinema para discutir as intersecções entre os campos, o intercâmbio de narrativas, discursos e outros aspectos técnico-formais. Participam do debate os cineastas Rogério Borges, Kit Menezes e Liene Saddi, além dos artistas que integram o projeto.

Napoleão – Pavilhão da Magnólia – Crédito: Priscila Cordeiro/Divulgação


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