O simbólico 100 dias de Bolsonaro

Por on 11 de abril de 2019

Passados os primeiros 100 dias do governo Bolsonaro é possível tirar algumas conclusões sobre o estilo de governar do Presidente da República.

Em meio a muita expectativa Bolsonaro teve inicialmente o aval popular. O nível de confiança dos agentes econômicos cresceu desde sua eleição no ano passado e iniciamos o ano com boas perspectivas, notadamente na área econômica. Por sinal montou uma bela equipe de técnicos na área. Crescimento econômico na casa dos 2,5% (em termos nominais mais de 6,5%) para este ano.

Quando o Presidente efetivamente assumiu seu posto começaram os problemas. Erros visíveis na comunicação. Saída de dois Ministros de sua confiança e uma série enorme de problemas que exigiram justificativas de todos os lados.

Fica evidente que o estilo Bolsonaro é de enfrentamento. Podemos qualificar sua posição de beligerante precisando sempre nomear um “inimigo” a combater. Seu governo se envolveu em temas que não agregam nada ao País, notadamente nas relações internacionais.

A consequência da morosidade de Bolsonaro em dar encaminhamento aos seus projetos nos trouxe agora para o que pode denominar de “lusco fusco”. De um lado há a claridade do dia, apontando para dias melhores na economia, e de outro para o anoitecer, rodeando no imaginário de todos se ele terá condições efetivas de elevar o patamar econômico do Brasil. Os agentes econômicos precificaram isso, derrubando a previsão de crescimento para algo próximo a 2% ao ano.

Em suas entrevistas, em seus posicionamentos, enfim, na leitura do que pensa do Brasil e do mundo, Bolsonaro apresenta o que podemos denominar de um “reducionismo” de pensamento. Suas teses, a forma como vê determinadas questões, notadamente quando se trata da avaliação da intervenção de seu núcleo familiar no governo, demonstram o quão é limitada é sua visão da política.

Na prática Bolsonaro retrata bem o que vem ocorrendo em todas as esferas de governo Brasil e até mesmo na sociedade civil organizada: faltam líderes e no caso dos governantes públicos, faltam estadistas.

Governar é tirar de sua equipe o que tem de melhor. Governar é traçar metas e encurtar, inteligentemente, o caminho para atingi-las. Governar é ouvir o grosso da população e não somente seu núcleo próximo, que normalmente é incapaz de praticar uma visão crítica.

Temos um enorme desafio pela frente. O que está em jogo não é a reforma da previdência ou qualquer outra reforma, e sim encontrar um caminho sólido para melhorar os indicadores sociais. Estamos falando de retomada de investimentos. Estamos falando na redução do desemprego. Estamos falando de redução do abismo social brasileiro.

O que os agentes econômicos desejam? Ambiente político mais calmo. O grito, se vier, deve ser somente de quem se opõe ao governo Bolsonaro. Do jeito que as coisas andam, Bolsonaro dá munição ao fogo amigo.

É certo que já se observa uma mudança de postura. Mesmo sem admitir que errou, Bolsonaro tem assimilado as reações contrárias a determinadas posições suas e de seu governo, notadamente em temas polêmicos. Isso é bom. Infelizmente estamos que conviver com a chamada gestão de tentativa e erro e isso gera desgastes desnecessários.

Mas o regime democrático é assim mesmo: elege o político e nem sempre o gestor. Se isso é bom ou ruim e se irá ou não mudar, somente o tempo dirá.

Dado o quadro político atual e o descrédito da classe política brasileira a conclusão é que: “é que temos para hoje”. Nem por isso jogaremos contra, mas que o Bolsonaro poderia facilitar as coisas não há dúvidas.

Mesmo considerando tudo que norteou os 100 primeiros dias de Bolsonaro ainda dá para acreditar que as coisas caminharão bem internamente. Vamos dar um crédito pelo noviciado e, mesmo não sendo estadista, que a dimensão do cargo que ocupa possa colocar seu governo em um caminho que leve o País a prosperidade.

Devemos manter o otimismo realista. Afinal, se errarmos a mão agora, o preço será muito elevado.

Foto: Agência Câmara dos Deputados/ BBC NEWS BRASIL


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